Dra-Emanuelle-Tramonte-Franco

Dra. Emanuelle Tramonte Franco
CRM: 32067 – Hematologia Pediátrica
Pediatra cancerologista da Unidade de Hematologia e Transplante de Medula Óssea infantil do IBCC Oncologia, Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE).

1) Existe alguma estatística somente dos tipos onco-hematopediátricos?
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, a cada ano, mais de 150 mil crianças são diagnosticadas com câncer em todas as regiões do mundo. Estima-se, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), que o percentual mediano dos tumores pediátricos encontrados nos registros de base populacional brasileiros situa-se próximo de 3%, o que permite o cálculo estimado de aproximadamente 12.600 casos novos de câncer pediátrico sejam diagnosticados no Brasil para o ano 2017, com pico de incidência na faixa de quatro a cinco anos, e um segundo pico entre 16 e 18 anos.
Em países desenvolvidos trata-se da primeira causa de morte por doença na infância.

2) Dentro da Onco-hematopediatria, existe algum fator de prevenção?
No Brasil, assim como nos países desenvolvidos, com o controle das doenças infectocontagiosas e consequente diminuição da mortalidade por causas evitáveis na faixa etária pediátrica, o câncer representa a primeira causa de óbito por doença, entre as crianças e adolescentes de 1 a 19 anos de idade.
Enquanto medidas para melhorar as taxas de incidência de câncer de adultos incluem a prevenção visando diminuir a exposição a fatores de risco sabidamente carcinogênicos como o tabagismo, alcoolismo, alimentação, na infância os fatores ambientais desempenham um papel muito pequeno.
Desta forma, não existem medidas efetivas de prevenção primária para impedir o desenvolvimento do câncer nesta faixa etária. A prevenção secundária, ou seja, o diagnóstico precoce torna-se essencial.

3) Existe algo que possa aumentar o risco do desenvolvimento do câncer infanto-juvenil?
Atualmente se reconhece que o aparecimento do câncer está diretamente vinculado a uma multiplicidade de causas e que em alguns tipos de câncer a susceptibilidade genética tem papel importante. É reconhecido na literatura científica que há um vasto número de doenças raras ligadas à instabilidade cromossômica, ao defeito de replicação e/ou no reparo do DNA que apresentam risco elevado de desenvolvimento de neoplasias ao longo da vida.
Assim como, é sabido que radiação ionizante (RAIOS-X) e alguns agentes virais, como o Epstein Barr Vírus possui relação com certos tipos de linfomas.
Dentro deste contexto, o pediatra deve estar atento aos sinais e sintomas mais frequentes dos cânceres infantis para que possa aumentar as possibilidades de cura de seu paciente através do diagnóstico precoce.

4) Como reconhecer sinais e sintomas na criança?
O câncer pediátrico, quando comparado com o do adulto, tende a apresentar menores períodos de latência, crescer quase sempre rapidamente, ser geralmente invasivo e responder melhor à quimioterapia. Os tipos de câncer mais comuns na criança e no adolescente são as leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas.
Em muitos casos, o que dificulta a suspeita e o diagnóstico do câncer nas crianças e nos adolescentes é o fato de sua apresentação clínica ocorrer através de sinais e sintomas que são comuns a outras doenças típicas da infância, como febre, vômitos, cefaleia, dor abdominal, adenomegalias e outros.
Porem, devemos ficar atentos a sinais e sintomas progressivos e persistentes, por exemplo, febre sem causa aparente, dor de cabeça frequente e acompanhada de vômito, alteração repentina de visão, nódulos que aumentam de tamanho muito rápido, palidez repentina e perda de energia, quedas frequentes, mancar ao caminhar, dores em membros, inchaço em articulações, sangramentos e manchas pelo corpo frequentes, perda de peso repentina e sem explicação.

5) Como é o diagnóstico e tratamento?
A história clínica, baseada na queixa principal e um exame físico detalhado, são os primeiros passos no processo de diagnóstico do câncer.
A história familiar, a presença de doenças genéticas ou de doenças constitucionais, podem também auxiliar nas orientações para o diagnóstico.
Os estudos indicam que o diagnóstico de câncer pediátrico é frequentemente retardado devido à falha no reconhecimento dos sinais de apresentação. O pediatra deve considerar a possibilidade de malignidade não somente porque se trata de doenças potencialmente fatais, mas porque o câncer é uma doença potencialmente curável dependendo do tipo e estágio de apresentação.
As taxas de cura que antes do advento da quimioterapia moderna (em torno dos anos 1950) eram menores que 20%, passaram para taxas atuais de sobrevida que são superiores a 80%. Este resultado se deve à melhora da compreensão da patologia, da adaptação do tratamento e do manejo com as intercorrências que permeiam este processo.
O tratamento dependera do tipo de câncer e seu estadiamento, sendo basicamente quimioterápico, quando necessário cirúrgico, radioterápico e transplante de medula óssea.

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