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O câncer anal ocorre quando as células normais que revestem o ânus se transformam em células anormais e crescem descontroladamente. O ânus é a última parte do trato digestivo, de onde as evacuações deixam o corpo.

Sinais e sintomas
• Sangramento do ânus • Dor no ânus ou ao redor dele
• Crescimento de ferida, verruga ou tumor no ânus
• Coceira no ânus
Importante lembrar que todos esses sintomas também podem ser causados por doenças que não são câncer.

Fatores de risco
• Estar infectado com papilomavírus humano (HPV).
• Ter uma condição ou doença que causa um enfraquecimento do sistema imunológico, como o vírus da imunodeficiência humana (HIV) ou um transplante de órgão.
• Ter uma história pessoal de câncer vulvar, vaginal ou cervical.
• Ter muitos parceiros sexuais.
• Ter relações sexuais anais receptivas (sexo anal).
• Fumando cigarros.

Qual profissional procurar
Recomenda-se visita ao Proctologista. No IBCC Oncologia os times de Cirurgia Oncológica e Oncologia Clínica estarão prontos para ajudá-los.

Como prevenir
• Vacinação para HPV
• Uso de preservativo
• Cessação do tabagismo
• Consultas preventivas

Detecção precoce
Não há recomendação de rastreamento populacional para esta doença, porém em pacientes portadores dos fatores de risco descrito acima, se torna importante consultas de prevenção periódicas ( geralmente anual), com coleta de exame de citologia oncótica anal ( semelhante ao Papanicolau colhido para prevenção de colo uterino).

Diagnóstico
• História Clínica
• Exame físico
• Anuscopia
• Biópsia

Tratamento
Os tratamentos em oncologia são cada vez mais personalizados e norteados pela condição de saúde do paciente, pelo estadio do tumor e pelas suas características moleculares. As modalidades de tratamento mais frequentemente utilizadas são:
• Cirurgia: usada em tumores muito precoces passíveis de remoção e preservação do ânus. Também é utilizada em pacientes com persistência da doença após quimio e radioterapia.
• Quimioterapia + Radioterapia: é a base do tratamento para a maior parte dos cânceres anais, com ótimas taxas de sucesso e preservação de órgão.
• Quimioterapia: base do tratamento em pacientes com doença mais avançada com a presença de metástases.

Bibliografia:
https://www.cancer.gov/
https://www.uptodate.com/home

Câncer de bexiga é uma lesão maligna que ocorre nas células que revestem a camada interna desse órgão, tendo como principal sintoma a presença de sangue na urina (hematúria), podendo ser visível (hematúria macroscópica) ou detectada apenas em exames de urina (hematúria microscópica).

O principal fator de risco para a doença é o cigarro, mas outros fatores são importantes: a exposição ocupacional e frequente a substâncias químicas, como trabalhadores de indústria têxtil, de tinta, couro, borracha, combustíveis ou de corantes. 

Rastreamento
Até o momento não existem exames de rotina que possibilitem fazer o diagnóstico precoce dos tumores de bexiga. Então o mais importante é reduzir os fatores de risco, ou seja, cessar tabagismo e diminuir o tempo de contato com os agentes cancerígenos citados acima, além do uso correto de EPI’s. E na presença de alterações urinárias, principalmente hematúria, deve-se procurar o especialista (urologista).

Diagnóstico
Paciente com sintomas urinários podem ser investigados inicialmente com ultrassonografia. A tomografia computadorizada pode complementar a investigação inicial. Se os exames mostrarem um tumor na bexiga ou caso persistência da dúvida, o urologista poderá realizar uma cistoscopia (“endoscopia da bexiga”) que permite visualizar o interior do órgão. Durante o procedimento pode ser realizada a retirada de pequenos pedaços do órgão ou retirada da lesão suspeita e encaminhar para avaliação do patologista para um diagnóstico preciso por meio do exame anatomopatológico.

Caso confirmado o diagnóstico de um câncer de bexiga, o patologista nos informará qual o tipo de câncer pois o tratamento difere a depender deste resultado. Os tipos de câncer de bexiga são:

  • Tumores superficiais (que não invadem o músculo da parede da bexiga)
  • Tumores invasivos (invadem o músculo da parede da bexiga)

Estadiamento
Após o diagnóstico de câncer de bexiga deve-se realizar exames de imagem para classificar o estágio em que se encontra a doença (se localizada apenas na bexiga, presença ou não de linfonodos suspeitos, presença ou não de metástase). Para isso é realizado tomografia computadorizada ou ressonância magnética (cintilografia óssea pode ser considerada a depender dos sintomas do paciente).  

Tratamento da doença localizada não invasiva
Nos casos onde o tumor não invada o músculo da bexiga, o tratamento é por meio da cirurgia endoscópica. E posteriormente é avaliado pelo médico especialista a necessidade ou não de tratamento intravesical (medicação infundida dentro da bexiga por meio de um cateter vesical) com quimioterápico ou imunoterápico.

Tratamento da doença localizada invasiva
Aqueles casos em que o tumor já invadiu o músculo da bexiga, mas que não apresenta metástase, geralmente é feito quimioterapia antes do procedimento cirúrgico (chamada quimioterapia neoadjuvante), na tentativa de redução do tumor para realização de cirurgia com mais facilidade após a quimioterapia.

Existem casos onde só a cirurgia é realizada, sem antes realizar quimioterapia. Aqueles pacientes que não são candidatos à cirurgia, o tratamento é baseado em quimioterapia,  radioterapia, terapia-alvo e imunoterapia (a depender da avaliação individualizada de cada paciente).

Tratamento da doença metastática
Nesse caso onde o câncer se espalhou para outros órgãos, a doença é denominada metastática. Opções de tratamento são: quimioterapia, imunoterapia, terapia-alvo e radioterapia. A escolha do tratamento vai depender das características do tumor, idade, estado geral e comorbidades do paciente. Avaliação individualizada será realizada em consulta médica com oncologia clínica, e em alguns casos, pacientes poderão também serem inclusos em protocolos de pesquisa com medicações oncológicas bastante eficazes.

Referências:
https://www.nccn.org/patients/guidelines/content/PDF/bladder-patient.pdf
https://www.cancer.org/cancer/bladder-cancer

Porção que compreende os lábios, bochechas, gengivas, língua (2/3 anteriores), soalho de boca e palato duro. Os cânceres de boca, língua, faringe e laringe são chamados de cânceres da via aéreo-digestiva alta. Seu principal tipo é um tumor bastante agressivo denominado carcinoma epidermóide, cujos principais fatores de risco para seu desenvolvimento são a exposição ao fumo e ao álcool, sendo que um fator potencializa o risco do outro. Outros tipos menos frequentes são os carcinomas derivados das glândulas salivares menores, pequenas glândulas que revestem toda a superfície da região por debaixo da mucosa. Esses tumores não estão relacionados ao tabagismo e ao etilismo, mas demandam terapias semelhantes.

Sinais e sintomas
Aftas que não cicatrizam em cerca de 15 dias, lesões avermelhadas, feridas com úlcera ou endurecidas, fixação da língua (redução de sua capacidade de movimentação), dificuldade em abrir a boca, dor, sangramento, odor fétido, dificuldade em engolir, nódulos no pescoço e emagrecimento.

Fatores de risco
Tabagismo isoladamente ou associado ao etilismo, traumas crônicos como condicionados por dentaduras mal ajustadas e dentes em mal estado com espículas que ferem a língua, infecção pelo HPV, dietas pobres em frutas e verduras, imunossupressão.

Qual profissional procurar
Cirurgião de cabeça e pescoço. O dentista pode auxiliar no diagnóstico ao exame físico e biópsia de lesões suspeitas.

Como prevenir
Cessação do tabagismo e etilismo, avaliação periódica com odontologista, ajuste adequado das próteses dentárias, sexo oral com proteção, tratamento de lesões chamadas de pré-neoplásicas – ainda não caracterizadas como câncer mas que poderão progredir para tal – higiene oral atenta e alimentação saudável.

Detecção precoce
Procurar avaliação do especialista após lesão ou sintomas persistentes por mais de 15 dias.

Diagnóstico
Visualização de lesão em exame físico de boca e coleta de amostra para biópsia. Importância do autoexame da cavidade oral e atenção ao pescoço. Todos os pacientes, assim que diagnosticados, devem ser estadiados por meio dos exames físico e de imagem. O estadiamento determinará o estágio da doença e, a partir de então, determina-se a terapia, o prognóstico e a forma como deverá ser feito o seguimento futuro. A manutenção da exposição aos fatores de risco amplifica os riscos de recidiva e desenvolvimento de um segundo tumor. Recomenda-se o seguimento clínico pela vida toda.

Tratamento
O tratamento preferencial é o cirúrgico, radioterapia com ou sem quimioterapia como tratamento complementar. As opções terapêuticas devem ser consideradas individualmente para cada caso em particular.

Câncer de Cabeça e Pescoço são os tumores malignos que surgem exatamente nessas regiões do corpo: cavidade oral, nasofaringe, orofaringe e hipofaringe. Estão muito relacionados a hábitos de vida ruins, como o tabagismo e o etilismo. São mais frequentes em homens acima de 40 anos, mas podem ocorrer também em mulheres e em idades mais precoces. Além disso, o câncer de nasofaringe pode estar relacionado ao vírus de Epstein-Barr e o câncer de orofaringe ao papiloma vírus humano, o HPV.

Rastreamento
Não há indicação populacional de exames para o diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço. No entanto, devemos sempre lembrar de que hábitos de vida saudáveis, não fumar e não beber bebidas alcoólicas, nos ajudam a prevenir grande parte dos casos. É importante também a vacinação contra o HPV. Além disso, reparar em feridas que não cicatrizam na boca, lábios e gengivas, pode ajudar no diagnóstico mais precoce do câncer de cabeça e pescoço.

Diagnóstico Radiológico
A depender do caso, exames complementares como Raio X do local afetado e Ultrassonografia da região cervical podem ser solicitados no início, mas comumente será necessário a Tomografia Computadorizada ou o PET CT. Ressonância Nuclear Magnética também pode auxiliar em casos selecionados.

Diagnóstico Patológico
Para confirmar o diagnóstico de câncer é necessária a biópsia. O médico patologista analisará o material do tumor obtido e informará o diagnóstico e o tipo de câncer. O câncer mais comum da região de cabeça e pescoço é o Carcinoma Espino-Celular (CEC). Existem outros tipos de tumores, como o Adenocarcinoma, Sarcomas e Melanomas, mas eles são muito mais raros. Um diagnóstico diferencial importante deve ser feito com os tumores hematológicos, como linfomas, que ocasionalmente podem iniciar sua apresentação como uma tumoração na região do pescoço.

Estadiamento
A primeira avaliação a ser realizada, é o exame físico locorregional. É feita através do exame físico de toda a região da boca, nariz e garganta.
Para o estadiamento, ou seja, para sabermos se o tumor já saiu de seu local de origem para outros órgãos ou linfonodos, utilizamos normalmente os exames de imagem, como a Tomografia Computadorizada (tórax, principalmente), ressonância magnética ou o PET SCAN, em casos específicos.

Tratamento da Doença Localizada
Em casos de doença inicial, a depender da localização e extenção, a cirurgia é o tratamento de escolha. Após a cirurgia, pode ser necessária a realização de radioterapia e/ou quimioterapia.
Nos casos em que a cirurgia não é possível, o tratamento recomendado é geralmente a radioterapia associada a quimioterapia. Em casos selecionados, como em tumores de nasofaringe ou de laringe, pode ser necessária a quimioterapia antes da cirurgia ou da radioterapia.

Tratamento da Doença Avançada Metastática
Em caso de doença metastática, o tratamento recomendado é a quimioterapia, associada ou não a imunoterapia ou anti-corpos monoclonais. A cirurgia pode ser utilizada em casos excepcionais, assim como a radioterapia.

Fonte:
1. https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-laringe
2. https://www.nccn.org/patientresources/patient-resources/guidelines-for-patients
3. https://www.cancer.org/cancer.html

Dr. Márcio Kawano – CRM SP 112994

O colo do útero é a região mais baixa e estreita do útero, que tem duas partes, o corpo do útero (onde se desenvolvem os bebês) e o colo, que liga o útero à vagina. O câncer de colo do útero, também chamado câncer cervical, tem início no seu tecido de revestimento e se desenvolve lentamente, com algumas células normais que se tornam pré-cancerosas e, mais tarde, cancerosas. Essas alterações recebem o nome de neoplasia intraepitelial cervical (NIC) e tendem a se desenvolver lentamente.

O câncer de colo de útero é uma doença de alta prevalência. Somente para este ano, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê 16.370 novos casos de câncer de colo do útero.

A incidência de câncer de colo de útero é muito alta nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento e mais baixa nos países desenvolvidos por causa do acesso regular a exames preventivos, sobretudo o Papanicolau, que detecta a doença em seus estágios iniciais.

Fatores de risco
Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer, mas isso não significa que você vai ter câncer de colo de útero.

Infecção por HPV:
É o mais importante fator de risco. O HPV é uma família com cerca de 140 tipos de vírus, alguns causam verrugas genitais (condiloma) e outros, câncer de colo do útero: os chamados HPVs de alto risco. Os HPVs são transmitidos sexualmente e o risco de infecção é maior em quem tem início precoce da vida sexual e mantém relações sexuais sem preservativo. Atualmente, não existe cura nem tratamento diretamente contra o HPV, mas em geral a infecção desaparece sem tratamento.

O exame de Papanicolau detecta alterações nas provocadas células pelo HPV e, embora não haja tratamento para a infecção, o crescimento celular anormal que ele ocasiona pode e deve ser tratado. Embora seja o mais importante fator de risco para o câncer de colo do útero, a maioria das mulheres infectadas não desenvolve a doença. O exame, que pode detectar as lesões pré-cancerosas causadas pelo HPV, consiste na análise microscópica de células do colo do útero obtidas por meio de uma leve raspagem. Todas as mulheres devem fazer o Papanicolau anualmente, a partir dos 21 anos ou do terceiro ano após o início de sua vida sexual. A partir dos 30 anos, mulheres que tiveram três exames de Papanicolau normais seguidos podem fazê-lo a cada dois ou três anos ou fazer o Papanicolau a cada três anos junto com o teste de DNA de HPV, se negativo. Mulheres expostas ao HIV ou com problemas no sistema imunológico devem fazer o exame anualmente.

A vacina não serve para quem já tem HPV, mas deve ser aplicada em meninas e meninos antes do início da vida sexual. Há duas vacinas no mercado. Uma é eficaz contra as versões 16 e 18 do vírus, que respondem por até 70% dos casos de câncer de útero. A outra é eficaz contra os tipos 16 e 18 e contra as variedades 6 e 11, responsáveis por 80% dos casos de condiloma (verrugas genitais).

Infecção por HIV:
O vírus da Aids diminui as defesas do organismo e reduz a capacidade dele de combater o vírus e o câncer em seus estágios iniciais.

Fumo:
Mulheres fumantes têm duas vezes mais risco de ter câncer de colo do útero do que aquelas que não fumam.

Rastreamento
O rastreamento do câncer de colo do útero é realizado através do exame Citopatológico do colo uterino (Papanicolau). Este exame tem como missão diagnosticar as lesões precursoras (lesões intraepiteliais escamosas de alto grau e adenocarcinoma in situ), impedindo-as de evoluir para o câncer em si. Outros exames podem ser realizados em caráter excepcional e complementar, como exames de colposcopia e exames para determinação do tipo de HPV, o vírus responsável pela esmagadora maioria das lesões de câncer de colo uterino.

O Papanicolau deve ser oferecido, porém não exclusivamente, para mulheres entre os 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual, devendo-se incluir homens trans e/ou qualquer pessoa que tenha colo uterino. A periodicidade deve ser de 3 em 3 anos se os dois primeiros exames tenham sido normais com intervalo de um ano entre eles. Exceção é feita para pacientes imunodeprimidos, portadores de HIV, para quais o rastreamento tende a ser anual.

Diagnóstico radiológico
Em geral, exames radiológicos não se fazem necessários para o diagnóstico de câncer de colo uterino precoce, mas, no estadiamento, podem ser utilizados exames de ultrassonografias, tomografias e/ ou ressonâncias.

Diagnóstico Patológico
No Exame Papanicolau, células são coletadas do colo uterino e analisadas, diagnosticando-se, assim, lesões pré-cancerígenas ou lesões já cancerosas… Mas amostras de tecidos (biopsias) podem ser obtidas durante o exame de Colposcopia, detalhando, ainda mais, os tipos de células, a localização e a profundidade destas lesões. Os exames de Anatomia patológica e Imunohistoquimica orientarão ao correto diagnóstico e, consequentemente, ao melhor tratamento.

Estadiamento
O estadiamento é realizado através da Biopsia do colo uterino, dos exames de imagens e do exame físico da paciente.

Os níveis de estadiamento vão do I ao IV, pertencendo ao estadio I lesões pequenas e confinadas ao colo uterino e estádio IV quando há invasão e metástases para locais e órgãos mais distantes, como osso, bexiga, intestino, pulmões e/ ou fígado.

Tratamento da doença localizada
Cânceres de colo uterino ainda localizadas no próprio colo (estadio I) podem ser tratados com cirurgias conservadoras ( como conização ou traquelectomia ) se há desejo gestacional futuro ou com histerectomia total quando não mais se almeja gestação… É importante saber que a conização ( retirada do colo uterino desde sua abertura na vagina até a sua porção que penetra a extremidade inferior do útero) e a traquelectomia radical (conização + realização de amostragem de tecidos em volta do colo uterino , assim como de alguns linfonodos) podem necessitar de complementação para histerectomia se, durante análise da anatomia patológica forem diagnosticadas dimensões da lesão acima do esperado.

Em doenças de maior volume, a cirurgia perde seu papel e o tratamento se faz com Radioterapia associada a quimioterapia. A radioterapia pode ser interna (braquiterapia) ou externa. Na Radioterapia interna, a fonte de radiação é introduzida via vaginal e “sementes “de material radiativo chegam ao colo uterino. Na Radioterapia externas, os raios atingem o colo uterino passando da pele de toda a pelve.

Tratamento sistêmico da doença avançada
Uma vez que as células tumorais tenham se espalhado para órgãos distantes, como pulmões, fígado, ossos… sejam através da corrente sanguínea ou da corrente linfática, a estratégia é destruir estas células malignas onde quer que elas estejam. Nesse caso são utilizadas quimioterapias venosas, tais como platinas e taxanos, podendo-se utilizar o Bevacizumabe em associação ou, ainda, a Imunoterapia. O Bevacizumabe não é uma quimioterapia. Ela tem a capacidade de alterar os vasos de sangue que nutririam o tumor, promovendo a sua destruição. Já a Imunoterapia, tal como o Pembrolizumabe, pode ser utilizada em pacientes com positividade ao teste de PDL-1 no material da biopsia ou da cirurgia e agem através do aumento de poder de ação dos linfócitos T ( células de defesa ) sobre as células tumorais

Bibliografia:
https://www.nccn.org/professionals/physician_gls/pdf/cervical.pdf

O câncer do corpo do útero geralmente inicia-se no endométrio (revestimento interno do útero), mas pode ter origem também nas outras camadas, como ocorre nos sarcomas. Acomete, na maioria das vezes, mulheres após a menopausa, mas pode ocorrer em todas as idades.

Sinais e sintomas
Apresenta como principal sintoma o sangramento via vaginal pós-menopausa, ou sangramento excessivo em mulheres que ainda menstruam. Além disso, pode ocorrer sangramento durante a relação sexual, dor pélvica ou sintomas urinários, intestinais e aumento/inchaço do volume abdominal.

Fatores de risco
É classificado em tipo I e tipo II. O Tipo I está relacionado ao excesso de peso corporal, diabetes, problemas de ovulação, primeira menstruação precoce e menopausa tardia ou nuliparidade (muitos ciclos menstruais ao logo da vida), predisposição genética, hiperplasia endometrial, uso de terapia de reposição hormonal após a menopausa, síndrome do ovário policístico. Já o tipo II é causado, principalmente, por atrofia endometrial e acomete mulheres mais idosas.

Qual profissional procurar
Recomenda-se visita anual ao Ginecologista para exame físico e de colpocitologia oncótica (papanicolau), além de exame de ultrassonografia. Se alterado, prossegue-se a investigação com biópsia endometrial.

Como prevenir
Manter o peso adequado, realizar atividade física regularmente, dieta com carga glicêmica adequada, diminuir o numero de menstruações durante a vida reprodutiva (uso de contraceptivos hormonais e engravidar), bem como a amamentação.

Detecção precoce
A detecção do câncer de endométrio é feita por exame clínico e radiológico (geralmente ultrassom transvaginal). Caso haja sintoma de sangramento anormal, procure seu Ginecologista ou serviço de referência.

Diagnóstico
O diagnostico se dá pela biópsia endometrial, que pode ser feita por histeroscopia (câmera que entra no útero via vaginal) ou curetagem uterina.

Tratamento
O estadiamento e o tratamento são cirúrgicos, com a retirada do útero (histerectomia) e, se necessário, complementação com linfadenectomia pélvica, retroperitoneal e omentectomia. Pode ser necessário quimioterapia, radio ou braquiterapia (radioterapia via vaginal), dependendo do grau de acometimento da doença e/ou para evitar que a doença volte.

O útero é um órgão localizado entre a bexiga e o reto, conecta-se a vagina pelo colo uterino.  Seu interior possui duas camadas. Uma externa e espessa composta de músculo chamada de miométrio e uma interna e fina chamada de endométrio.

O endométrio engrossa a cada mês se preparando para uma possível gravidez. Quando ela não acontece, o revestimento endometrial é eliminado durante o período menstrual. Após a menopausa (quando não há mais períodos menstruais) o revestimento endometrial para de crescer e se desprender.

O câncer de colo uterino é o terceiro mais incidente no Brasil. O câncer de endométrio é o tipo mais comum entre os tipos de câncer uterino. Pode acometer mulheres de qualquer idade, mas é mais comum em mulheres que já se encontram na menopausa.

Fatores de risco:

O risco de desenvolvimento do câncer de endométrio aumenta em mulheres após os 50 anos.
Outros fatores são: 
    – Diabetes mellitus;
    – Predisposição genética;
    – Obesidade;
    – Dietas com elevada carga glicêmica (rica em carboidratos), em produtos processados e ultraprocessados;
    – Menarca (primeira menstruação) precoce;
    – Menopausa (quando a mulher não menstrua mais) tardia;
    – Nuliparidade (nunca ter engravidado ou ter tido filhos)
    – Hiperplasia (crescimento) endomentrial;
    – Falta de ovulação crônica;
    – Síndrome de ovário policístico;
    – Uso de radiação anterior para tratamento de tumores de ovário;
    – Uso de estrogênio (hormônio feminino) para reposição hormonal após a menopausa;
    – Síndrome de Lynch.

Quando suspeitar?
O sinal mais comum de câncer de endométrio é o sangramento vaginal fora do período menstrual. Sangramento vaginal anormal consiste:
    – Sangramento vaginal mais intenso que o normal;
    – Qualquer sangramento vaginal em mulher que já esteja na menopausa;
    – Sangramento entre os ciclos menstruais;
Além disso, algumas mulheres podem apresentar dor pélvica e durante a relação sexual.

Como se prevenir?
Alguns fatores são considerados protetores para câncer de endométrio:
    – Gravidez;
    – Hábitos saudáveis de vida com a realização de atividade física;
    – Peso corporal saudável.

Como é feito o diagnóstico?
É necessário realizar exames que permitam a visualização do útero e do seu interior para diagnosticar o câncer de endométrio. Os seguintes procedimentos e exames auxiliam ao médico no diagnóstico:
    – História clínica da paciente e exame físico;
    – Ultrassonografia transvaginal;
    – Histeroscopia (pela vagina se introduz uma câmera que permite a visualização do interior do útero);
    – Biópsia do endométrio (é retirado uma amostra da camada interna do útero para análise microscópica).

Estadiamento da doença
Uma vez diagnosticado o câncer de endométrio, o próximo passo é determinar seu estadiamento. Desta forma, são realizados exames (exame pélvico com espéculo e toque vaginal e exames de imagem como radiografia de tórax, ultrassonografia transvaginal, tomografias e ou ressonância nuclear magnética) para avaliar se o tumor está restrito ao órgão de origem ou se há disseminação para outros órgãos. Isso é importante para o planejamento adequado do tratamento.

Tratamento
O tratamento envolve equipe multidisciplinar: ginecologista, oncologista e radioterapêuta.

O tratamento do câncer de endométrio consiste basicamente na realização de cirurgia, com a retirada do útero (histerectomia), ovários (ooforectomia) e trompas (salpingectomia). Algumas pacientes necessitarão de tratamento complementar após a cirurgia com a realização de radioterapia e ou quimioterapia.

Não existe recomendação de rastreio para câncer de endométrio. A detecção precoce é de extrema importância, pois permite diagnóstico de doença em estádio inicial o que possibilita melhores resultados no tratamento. Desta forma, procure seu médico na presença de algum sintoma de risco para avaliação ginecológica e exame físico.

Fontes:
https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-do-corpo-do-utero
Patient education: Endometrial cancer diagnosis, staging, and surgical treatment (Beyond the Basics), Lee-may Chen, MD et al, Jun 2022; uptodate.

Dra. Camila Giro

 

O esôfago é um órgão tubular que faz a conexão da garganta ao estômago. O câncer de esôfago acontece quando algumas células do órgão se replicam descontroladamente, adquirindo o potencial de invadir estruturas e se disseminar através da corrente sanguínea. É um tipo de tumor mais comum em homens. Os principais fatores de risco são obesidade, doença do refluxo gastroesofágico, tabagismo, consumo de álcool, infecção pelo HPV, uso frequente de bebidas muito quentes como chás e cafés.

Rastreamento
Não existe protocolo para rastreamento periódico de câncer de esôfago. Entretanto, alguns sintomas podem alertar sobre o mau funcionamento do órgão, como dificuldade para engolir alimentos, perda de peso, dor ou sensação de queimação (pirose) no abdome ou no peito, ou mesmo tosse e rouquidão persistentes. Para a identificação desses sintomas, é importante a coleta do histórico do paciente e exame físico detalhado. Em casos de sinais de alerta, uma endoscopia digestiva alta pode ser solicitada. Este é o exame necessário para rastrear e diagnosticar lesões malignas ou pré-malignas.

Diagnóstico Radiológico
O diagnóstico do câncer de esôfago se dá através da realização de uma endoscopia digestiva alta. Este exame possibilita a realização de uma biópsia que confirmará o tipo histológico da lesão e direcionará o tratamento. Outros exames como ultrassonografia endoscópica, tomografias ou PET-Scan podem ser necessários para complementar o diagnóstico, avaliar a real extensão da doença e nortear a melhor abordagem terapêutica.

Diagnóstico Patológico / Molecular
O Diagnóstico patológico e molecular se dá através da análise de uma amostra de tecido colhida através da biópsia. Nesta amostra será realizada o estudo anatomopatológico, no qual o patologista é capaz de identificar o subtipo do tumor.  Os subtipos mais comuns são o Adenocarcinoma (usualmente encontrado na porção média ou mais baixa do esôfago) e o Carcinoma epidermoide ou espinocelular (geralmente acometendo porções médias ou mais altas do esôfago). Outra importante informação que a analise anatomopatológica oferece é o grau do tumor, que varia de 1 a 3, e indica a agressividade das células tumorais analisadas. Análises biomoleculares mais específicas podem ser realizadas através da imuno-histoquímica.  Esta complementação diagnóstica é de grande importância, especialmente nas doenças mais avançadas.

Estadiamento
O câncer de esôfago pode se espalhar pelo organismo através do sangue, dos vasos linfáticos ou mesmo através dos tecidos vizinhos. O Estadiamento é a avaliação da real extensão da doença, e é interpretado através da classificação TNM. O T representa o tamanho do tumor, o N representa o número de linfonodos acometidos e o M representa metástases a distância. Este estadiamento é realizado através de tomografias, PET-Scan. Para melhor acurácia no diagnóstico da extensão do tumor, o USG endoscópico pode ser necessário. Por fim, uma laparoscopia diagnóstica pode ser necessária quando se trata de tumores da transição entre o esôfago e estômago, para avaliar presença de disseminação do tumor no abdome.

Tratamento da doença localizada (Cirurgia)
Em tumores localizados, a cirurgia pode ser uma boa estratégia para remoção do tumor, com potencial curativo. Nesta cirurgia, é importante que além do esôfago ou parte dele o cirurgião retire também linfonodos próximos ao órgão, que podem estar comprometidos pela doença. De forma geral, quando a cirurgia é realizada, o cirurgião utiliza técnicas para reconectar o estômago a boca, desta forma o paciente tem a chance de voltar a se alimentar pela via oral.

Tratamento da doença localizada (Radioterapia)
A radioterapia é uma importante ferramenta no tratamento de tumores de esôfago, particularmente tumores localmente avançados (tumores maiores de 2 cm que invadem mais de uma camada do órgão, invadem estruturas vizinhas ou que tem linfonodos comprometidos). É uma técnica que utiliza radiação para causar a morte de células tumorais, aumentando o potencial de cura. Na maioria dos casos, a radioterapia é realizada em combinação com quimioterapia.

Tratamento da doença localizada (Neoadjuvância e Adjuvância)
Tratamento neoadjuvante é o nome que damos a terapia empregada antes da cirurgia, no intuito de reduzir o tumor, facilitar a cirurgia e aumentar o potencial de cura. Nos tumores de esôfago pode ser realizado com quimioterapia, radioterapia ou uma combinação das duas estratégias. O subtipo do tumor, sua localização e extensão vão ser importantes para a definição da melhor estratégia de tratamento. Já o tratamento adjuvante se refere a terapias realizadas após a cirurgia, no intuito de destruir células que podem ter ficado após a cirurgia e diminuir as chances de o tumor recidivar (aparecer novamente no corpo). As opções para tratamento adjuvante incluem quimioterapia, terapia alvo ou imunoterapia.

Tratamento sistêmico da doença avançada
Tumores de esôfago são agressivos, e em grande parte dos casos são diagnosticados já em um estágio avançado. Dizemos que o tumor está em estágio avançado quando há invasão de importantes órgãos ou comprometimento de outros órgãos. Não há possibilidade de cirurgia curativa nestes casos, por isso as opções são voltadas para o controle da doença. A principal estratégia para controle de doença é a quimioterapia. A quimioterapia é um tratamento voltado para destruir células tumorais, e age em todo o organismo de maneira sistêmica. Atualmente, diversos novos tratamentos estão sendo estudados para utilização isoladamente ou em combinação com a quimioterapia, promovendo maior controle de doença e melhor qualidade de vida aos pacientes. São eles a imunoterapia e as terapias alvo. A imunoterapia visa estimular as células de defesa do organismo a atacar as células tumores, reconhecendo-as como invasoras. Já as terapias alvo agem em vias específicas de sinalização celular, diminuindo a replicação do tumor ou causando morte celular. Para a melhor escolha destes novos tratamentos, testes moleculares mais específicos são necessários e ajudam a entender melhor a biologia de cada tumor.

Dra. Camila Rebouças

O câncer de estômago é um tumor que ocorre em cerca de 65% dos pacientes com mais de 50 anos de idade.

Fatores de risco como tabagismo, obesidade, consumo de álcool e doenças pré-existentes como anemia perniciosa, lesões precursoras como gastrite atrófica e metaplasia intestinal, além de infecções pela bactéria Helicobacter pylori podem estar associados ao desenvolvimento do tumor. O histórico familiar de neoplasias pode aumentar o risco também. Evitar álcool e tabagismo, uma dieta rica em consumo excessivo de sal além da obesidade são algumas medidas de prevenção.

Rastreamento
Não há programas de rastreamento populacional para câncer de estômago que tenham demonstrado redução da mortalidade pela doença. No entanto, sintomas e sinais como dor no abdômen, perda de peso, náuseas, vômitos, azia e refluxo quando persistentes podem indicar, na maioria dos casos, doenças benignas mas também sinais de alerta para o diagnóstico. Em caso desses sintomas, informe seu médico imediatamente (diagnóstico precoce aumenta a chance de cura da doença).

Diagnóstico Radiológico
A detecção do câncer gástrico em fase inicial aumenta sua chance de cura. A endoscopia digestiva alta é o exame que visualiza o estômago e obtém fragmentos do tecido gástrico para a realização da biópsia de regiões suspeitas para a doença.

Diagnóstico patólogico/molecular
O tipo histológico mais frequente é o adenocarcinoma em 95% dos casos.
Outros tipos tumorais como linfomas, sarcomas, tumor estromal gastrointestinal (GIST) e neuroendócrinos também podem ocorrer no estômago. Avaliação molecular do tumor é obrigatória pois o tratamento é diferente para cada tipo histológico.

Estadiamento
Após o diagnóstico são realizados exames para avaliar a extensão do tumor. Esses exames podem ser tomografias computadorizadas de tórax, abdome e pelve ou PET-CT. A ultrassonografia endoscópica e laparoscopia também podem ser indicadas se houver dúvidas quanto ao estadiamento. Outra ferramenta importante é a laparoscopia diagnóstica, procedimento cirúrgico que avalia a cavidade abdominal, o peritônio principalmente, estrutura pouco visível aos métodos radiológicos convencionais.

A discussão entre uma equipe multidisciplinar (médicos, nutricionistas, enfermeiros, cirurgiões) antes de iniciar o tratamento é fundamental para beneficiar o paciente com a melhor conduta.

Tratamento da doença localizada (cirurgia)
A cirurgia é o tratamento padrão para os casos em que o tumor está restrito ao estômago e aos gânglios linfáticos regionais. Pode ser baseada na ressecção parcial ou total do estômago a depender da localização do tumor, associada a remoção de linfonodos regionais. Entretanto, ocorrerá de forma isolada apenas em lesões iniciais.

Tratamento da doença localizada (neoadjuvância e adjuvância)
A quimioterapia pode ser indicada antes da cirurgia e/ou após, para aumentar a chance de cura da doença. Atualmente, essa associação (quimioterapia e cirurgia) é considerada como tratamento preferencial.

A avaliação multidisciplinar com equipe de cirurgia oncológica e oncologia clínica definirá o tratamento a ser escolhido.

Tratamento da doença localizada (radioterapia)
Em alguns casos após a cirurgia, a radioterapia local poderá ser indicada.

Tratamento sistêmico da doença avançada metastática
Quando a doença está presente em outros órgãos, ou seja, com metástases, o tratamento é sistêmico com o objetivo de controle de sintomas e melhora na qualidade de vida do paciente. A quimioterapia, imunoterapia e terapia – alvo são possibilidades de tratamentos recomendados, após avaliação individualizada de cada paciente (incluindo comorbidades, idade e estado nutricional/geral do paciente).

Referências:
www.inca.gov.br
www.cancer.gov

Região da porção média do pescoço a qual abriga a comunicação entre a boca e o esôfago sendo destinada à passagem de alimentos, bem como entre as fossas nasais e laringe/via aérea em trajeto seguido pelo ar inalado e expirado. Os cânceres de boca, língua, faringe e laringe são chamados de cânceres da via aéreo-digestiva alta. Seu principal tipo é um tumor bastante agressivo denominado carcinoma epidermóide, cujos principais fatores de risco para seu desenvolvimento são a exposição ao fumo e ao álcool, sendo que um fator potencializa o risco do outro. Outros tipos menos frequentes são os carcinomas derivados das glândulas salivares menores, pequenas glândulas que revestem toda a superfície da região por debaixo da mucosa. Esses tumores não estão relacionados ao tabagismo e ao etilismo, mas demandam terapias semelhantes.

Sinais e sintomas
Dificuldade ou dor para engolir, eliminação de sangue pela boca, alteração da voz (“voz anasalada”), dor em ouvido, nódulos no pescoço, perda de peso.

Fatores de risco
Tabagismo isoladamente ou associado ao etilismo; infecções pelo vírus HPV (principalmente subtipos 16 e 18), imunossupressão.

Qual profissional procurar
Cirurgião de cabeça e pescoço.

Como prevenir
Cessação do tabagismo e etilismo; proteção na relação sexual oral.

Detecção precoce
Avaliação do especialista quando sinais e sintomas progressivos e por mais de 15 dias.

Diagnóstico
Visualização de lesão em faringe por meio de exame direto ou laringoscopia/nasofibrolaringoscopia e coleta de amostra para biópsia. Todos os pacientes, assim que diagnosticados, devem ser estadiados por meio dos exames físico e de imagem. O estadiamento determinará o estágio da doença e, a partir de então, determina-se a terapia, o prognóstico e a forma como deverá ser feito o seguimento futuro. A manutenção da exposição aos fatores de risco amplifica os riscos de recidiva e desenvolvimento de um segundo tumor. Recomenda-se o seguimento clínico pela vida toda.

Tratamento
Cirurgia, radioterapia com ou sem quimioterapia (ou combinação sequencial destas opções). As opções terapêuticas devem ser consideradas individualmente para cada caso em particular.

Incidência
De acordo com o INCA, o câncer representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos).

Prognóstico
Em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos da doença podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados.

Especialmente para os Cânceres de origem Hematológica, as Leucemias Linfóides, Mielóides e Linfomas, conforme sejam historicamente os mais frequentes, a Ciência, preocupada, evoluiu muito através dos tempos tanto na sua detecção como no seu tratamento. Conforme o mundo se organizou em ensaios para tratamento, colhendo, analisando e revelando sistematicamente todos os dados resultantes de cada terapia, protocolos internacionais para controle de cada doença, em cada estado de invasão foram sendo estabelecidos como os de melhor resposta e aplicados por todo o planeta.

Ao se associar aos protocolos internacionais de tratamento a modalidade terapêutica do Transplante de Medula Óssea, os resultados do tratamento se tornaram ainda melhores, chegando a níveis de cura na ordem dos 80% e em algumas situações, até ultrapassando esta marca.

O IBCC Oncologia está representado neste cenário através da Hematologia que, associada a um dos maiores centros de mundiais pesquisa em câncer hematológico, contribui para aprimoramento dos protocolos internacionais através do fornecimento de dados de todos os pacientes aqui transplantados, devidamente protegidas as suas individualidades.   

Como aparece?
Nos adultos, em torno de 90% do aparecimento do câncer está relacionado a fatores esporádicos e ambientais, sendo apenas 10% hereditários. Diferente dos adultos, em que a exposição é maior aos estímulos nocivos ambientais, hábitos de vida não apropriados, uso de medicamentos e alimentação inadequada por longo período, nas crianças isso não acontece, primeiro devido ao tempo muito curto de vida não possibilitar a exposição a fatores ambientais prejudiciais ou mesmo a fatores endógenos – substâncias produzidas em nosso organismo, como Hormônios – e, segundo, porque não há grande facilidade de acesso voluntário à maior parte dessas substâncias.

A grande maioria dos cânceres infanto-juvenís se originam de mutações genéticas ocorridas em algum momento do desenvolvimento infantil, mas verificou-se que tais mutações não são aleatórias, ao contrário, seguem um certo padrão de comportamento. Tais mutações podem ter sua origem em uma infecção viral específica ou em uma exposição à irradiação ondulatória inadvertida ou mesmo no caso de ter havido alguma falha na transcrição genética no momento de construir uma proteína ou enzima.

Este padrão genético, se identificado através de exames específicos, é muito útil tanto para o diagnóstico do câncer e, permitindo imaginar qual o tipo de evolução deste câncer, determinam qual o melhor tipo de tratamento para o controle daquela doença, especificamente.

Dizem alguns estudiosos que, normalmente, produzimos até cinco células cancerosas por dia, mas que o nosso sistema imunológico é plenamente capacitado para reconhecer e destruir tais células.

Se tal mutação ocorrer em um momento vulnerável de nosso sistema de defesa, ela pode impedir que nossos sistemas de defesa reconheçam ou destruam tais aberrações genéticas e, deste momento em diante, a criança passa a desenvolver o câncer, de modo progressivo.

Principais tipos de câncer infanto-juvenil

Cânceres hematológicos ou medulares, representado pelas Leucemias originadas tanto nos Gânglios Linfáticos: as Leucemias Linfoblasticas/Linfóides e Linfomas, como originadas na Medula Óssea: as Leucemias Mielóides.
Tumores de Sistema Nervoso Central, seguido dos Cânceres de origem em Gânglios Neurais os Neuroblastomas de Glândula Suprarrenal ou de Gânglios paravertebrais, que também costumam invadir a medula óssea.
Tumores Renais
Tumores Ósseos
Cânceres de partes moles
Câncer Ocular

Como diagnosticar?
A partir de alguma queixa de dor ou desconforto da criança aos familiares, é necessário procurar o pediatra que utilizará o recurso do interrogatório complementar sistematizado. Na maioria dos casos, o médico fará exames físicos mais atento caso possua alguma suspeita ou sinal de alerta de alguma patologia oncológica e em complemento aos exames, fará a investigação de baixa invasividade, que auxilia tanto na detecção como no diagnóstico do câncer infantil. Podem ser utilizados recursos desde o Diagnóstico por Imagem, com uso de Ultrassonografia de Alta Resolução, Ressonâncias Nucleares Magnéticas e PET-Scans cada vez mais potentes, passando pela grande disponibilidade de recursos endoscópicos e de patologia celular e até exames diagnósticos moleculares e genéticos cada vez mais acessíveis, acurados e específicos.

A principal chave para um melhor controle do câncer passa pela pesquisa direcionada da doença e, para isto, é preciso que os profissionais da saúde que cuidam de crianças e adolescentes se lembrem que o câncer também existe na faixa pediátrica. Só assim, através da investigação de sinais e sintomas relacionados ao problema, poderemos promover a desejada detecção precoce.

Existem sinais que servem de alerta aos pais?
Os pais devem estar atentos à palidez cutâneo mucosa, crescimento de gânglios (caroços no corpo) e sinais de sangramento, além de hematomas espontâneos no corpo e febre. A melhor maneira de diagnosticar e controlar o Câncer é através da pesquisa direcionada da doença, com profissionais qualificados e direcionados para a investigação de sinais e sintomas relacionados ao problema.

Cura e a Qualidade de vida
Um dos objetivos em foco, antes de se obter a cura do Câncer, é que o Paciente em recuperação tenha a melhor Qualidade de Vida possível em todos os aspectos Biológicos, Psicológicos e Sociais. Dependente do tipo e localização do Câncer e, sempre, da possibilidade de remoção de toda a célula maligna é que se fala em “Critérios de Cura”. Cada tipo de Câncer tem um Critério de Cura mas, na maioria das vezes, se fala em Cura quando não é possível detectar qualquer atividade da Doença Maligna durante 5 anos.

Equipe multidisciplinar no acolhimento de uma família que iniciará o tratamento
A equipe Multidisciplinar é de extrema importância tanto para o Acolhimento, para a Programação Terapêutica, para o Controle de Danos como para a Reintegração do Paciente e de sua Família de volta, na Sociedade.

Os pais e a equipe de especialistas devem conversar com a criança/adolescente sobre a doença e tratamento de forma aberta?
Sim, mas nada pode ser feito de modo amador. É necessário, sim, que se tenha muito amor, mas um amor que precisa ser capacitado. Os pais e a equipe precisam compreender a criança como um todo, respeite sua capacidade de entendimento, sua idade, sua cultura, sua religiosidade e reconhecer também que a criança está enfrentando dificuldades que dificultam a comunicação, como o grau de sedação, alterações metabólicas ou mesmo confusão mental a qual está submetida em decorrência de sua própria Doença ou de seu Tratamento.

É necessário ser profissional nesta abordagem porque, especialmente no relacionamento com adolescentes, naturalmente muito observadores e questionadores, caso estes entendam que estamos sendo negligentes ou mesmo mentirosos na informação, o vínculo duramente construído pode ser desfeito nesta comunicação.

O câncer de intestino (câncer colorretal) é uma doença que atinge indistintamente homens e mulheres.

A parede do intestino é composta de várias camadas. O câncer pode se iniciar na camada mais interna e pode crescer através de uma ou mais camadas, podendo infiltrar em vasos sanguíneos e vasos linfáticos, e atingir outros órgãos.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que cada ano sejam diagnosticados no Brasil 41.010 novos casos de câncer colorretal. (Instituto Nacional do Câncer, 08/05/2020)

Rastreamento
O rastreamento dos tumores de cólon e reto (colorretal) pode ser realizado através de dois exames principais: pesquisa de sangue oculto nas fezes e endoscopias (colonoscopia ou retossigmoidoscopias).

É recomendada a realização anual do exame de sangue oculto nas fezes para pessoas acima de 50 anos. Trata-se de exame laboratorial relativamente simples e que pode ser solicitado pelo médico clínico.

Caso o teste seja positivo (constate o sangue oculto), a pessoa deverá fazer uma colonoscopia ou retossigmoidoscopia, que permitirá ao médico visualizar a parte interna do intestino para ver se há câncer ou pólipos que possam vir a se transformar em câncer.

Diagnóstico
A confirmação do câncer ocorre através de uma biopsia, que é a retirada de um fragmento de tecido, realizada por colonoscopia ou retossigmoidoscopia.  Este material é enviado ao laboratório para análise.

Diagnóstico radiológico / estadiamento
Quando se descobre o câncer é necessário avaliar se o tumor está localizado ou se ocorreu disseminação para outros órgãos, desta forma são utilizados exames de imagens como tomografia computadorizada, ressonância magnética.

Fatores de risco
Ainda não se sabe exatamente as causas do câncer de cólon e de reto, mas alguns fatores de risco influenciam o desenvolvimento, tais como: 

Os principais fatores relacionados ao maior risco de desenvolver câncer do intestino são: idade igual ou acima de 50 anos, excesso de peso corporal e alimentação não saudável (ou seja, pobre em frutas, vegetais e outros alimentos que contenham fibras). O consumo de carnes processadas (salsicha, mortadela, linguiça, presunto, bacon, blanquet de peru, peito de peru e salame) e a ingestão excessiva de carne vermelha (acima de 500 gramas de carne cozida por semana) também aumentam o risco para este tipo de câncer.

Outros fatores de risco
   – Histórico familiar: apesar da maioria dos casos de câncer colorretal ocorrer sem histórico familiar, 30% das pessoas que desenvolvem têm outros familiares que foram acometidos pela doença.
   – Doenças hereditárias: correspondem a apenas 5% dos casos de câncer colorretal. São pessoas que herdaram mutações genéticas que causam a doença. Pessoas com alguma dessas condições devem fazer acompanhamento regular com o médico.
   – Doenças inflamatórias: pessoas com doença de Crohn e colite ulcerativa, por causa da inflamação nas paredes colorretais, têm mais risco de desenvolver o câncer. Deve ser feito acompanhamento regular com o médico.

Além de tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas. 

Sinais e Sintomas
No estágio inicial, o câncer colorretal não costuma apresentar sinais e sintomas, o que dificulta sua detecção precoce. Entretanto, alguns sintomas merecem atenção:
   – sangue nas fezes;
   – alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alternados);
   – dor ou desconforto abdominal;
   – fraqueza e anemia;
   – perda de peso sem causa aparente;
   – alteração na forma das fezes (fezes muito finas e compridas);
   – massa (tumoração) abdominal.

A presença de um ou mais destes sinais e sintomas não significa que  o diagnóstico de câncer é certo. Eles podem ser causados por diversas doenças gastrointestinais, como úlceras ou inflamação do colón. Procurar o médico para ele identificar a causa e indicar o melhor tratamento para o caso.

Como diminuir o risco de câncer de intestino?
   – fazer atividade física na maioria dos dias da semana;
   – ter uma alimentação rica em fibras (frutas, vegetais e grãos) e pobre em gorduras animais;
   – não fumar;
   – evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
   – realizar exames anuais, após os 50 anos, para detecção precoce e tratamento de pólipos.

Tratamento
O tratamento depende principalmente do tamanho, localização e extensão do tumor.
Há quatro métodos principais de tratamento para o câncer colorretal: cirurgia, radioterapia, quimioterapia e imunoterapia. O médico poderá indicar um único método ou a combinação deles. 

 

Tratamento doença localizada

Para o câncer de colón a cirurgia, que é a remoção do tumor, é a primeira opção de tratamento, e em alguns casos é indicado quimioterapia após. Quanto a quimioterapia, podem ser utilizados alguns esquemas de tratamento.

 

No câncer de reto, a abordagem inicial pode ser feita com cirurgia a princípio, no caso de tumores pequenos. Para lesões um pouco maiores, a cirurgia pode ser precedida de radioterapia combina à quimioterapia, ou quimioterapia, seguida com a combinação de quimioterapia e radioterapia.

 

Tratamento sistêmico para doença metastática

A doença metastática pode se apresentar como doença de baixo, moderado ou alto volume. Se for baixo volume, pode-se propor tratamento com cirurgia, seguido de quimioterapia ou vice-versa.

Na doença de volume moderado, onde a cirurgia up front não está indicada, o tratamento com quimioterapia pode ser empregado para diminuir o volume de doença e tornar possível a ressecção das lesões.

No caso da doença avançada, o tratamento é baseado em quimioterapia, associada ou não às terapias direcionadas por alvos moleculares. Em alguns casos, a imunoterapia pode ser empregada.

Referências Bibliográfica:
https : // inca.gov.br . Acesso em 12 de julho 2022
https : // câncer.gov. Acesso em 12 de julho 2022
https : // oncoguia.org.br. Acesso em 12 de julho 2022

Dra. Luana Fiúza – CRM 136297

Região da porção média do pescoço a qual abriga as pregas – “cordas” vocais. Participa da emissão de sons (vocalização), respiração e proteção pulmonar contra aspirações de saliva, secreções ou alimentos em direção aos brônquios. Os cânceres de boca, língua, faringe e laringe são chamados de cânceres da via aéreo-digestiva alta. Seu principal tipo é um tumor bastante agressivo denominado carcinoma epidermóide, cujos principais fatores de risco para seu desenvolvimento são a exposição ao fumo e ao álcool, sendo que um fator potencializa o risco do outro. Outros tipos menos frequentes são os carcinomas derivados das glândulas salivares menores, pequenas glândulas que revestem toda a superfície da região por debaixo da mucosa. Esses tumores não estão relacionados ao tabagismo e ao etilismo, mas demandam terapias semelhantes.

Sinais e sintomas
A rouquidão pode ser um sintoma inicial se acometimento direto das pregas vocais. Dificuldade para engolir, alterações no timbre de voz (“voz anasalada”), nódulos no pescoço, falta de ar progressiva, dor de ouvido e escarro com sangue são sinais de alerta.

Fatores de risco
Tabagismo, etilismo, infecções pelo vírus HPV (principalmente os subtipos 16 e 18), imunossupressão. Lembra-se que o hábito de fumar e a ingesta não moderada de bebidas alcoólicas são fatores de risco que se potencializam quando juntos.

Qual profissional procurar
Cirurgião de cabeça e pescoço.

Como prevenir
Cessação do tabagismo, evitar a ingesta exagerada de bebidas alcoólicas, proteção na relação sexual oral.

Detecção precoce
Avaliação do especialista se rouquidão persistente por mais de 15 dias (ou os sintomas e sinais acima descritos).

Diagnóstico
Visualização de lesão em laringe/cordas vocais por meio de exame de laringoscopia/nasofibrolaringoscopia e coleta de amostra para biópsia. Todos os pacientes, assim que diagnosticados, devem ser estadiados por meio dos exames físico e de imagem. O estadiamento determinará o estágio da doença e, a partir de então, determina-se a terapia, o prognóstico e a forma como deverá ser feito o seguimento futuro. A manutenção da exposição aos fatores de risco amplifica os riscos de recidiva e desenvolvimento de um segundo tumor. Recomenda-se o seguimento clínico pela vida toda.

Tratamento
Cirurgia preferencialmente e por via aberta ou “fechada” (através da boca); radioterapia com ou sem quimioterapia (ou combinação sequencial destas opções). As opções terapêuticas devem ser consideradas individualmente para cada caso em particular.

A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é uma das doenças neoplásicas mais frequentes na infância, mas acomete também pessoas de outras faixas etárias. Caracteriza-se pela substituição do tecido medular normal por células blásticas linfoides, ou seja, células hematopoéticas muito jovens e anômalas, que não preservam as funções originais.

Sinais e sintomas
Os sintomas decorrem da diminuição da função medular normal: anemia, infecções e sangramentos e podem ocorrer ainda sintomas como febre persistente, dores nas articulações e nos ossos e febre poderá ser um primeiro sintoma assim como hematomas espontâneos.

Qual profissional procurar
Hematologistas especializados.

Detecção precoce
Atenção para os sinais de: febre, dores ósseas, palidez cutânea, cansaço fácil e muitas vezes formação de hematomas (manchas roxas) espontâneas.

Diagnóstico
Exame de sangue mostrando células jovens ( Blastos ), DHL elevado e mielograma (exame da medula óssea).

Tratamento
O tratamento quimioterápico da leucemia linfoide aguda (LLA) é curativo em grande parte dos casos na infância. O transplante de medula óssea deve ser considerado nos casos de retorno da doença ou em outros casos especiais que apresentem características tais como alterações citogenéticas desfavoráveis.

A Leucemia Linfoide Crônica é uma neoplasia maligna que incide majoritariamente em pessoas idosas (a partir de 60 anos), raramente ocorrendo em pacientes jovens.

É uma doença de proliferação lenta, que leva ao acúmulo de células linfoides maduras anormais na medula óssea em detrimento da produção de células normais. Muitas vezes a leucemina linfoide crônica (LLC) é detectada em exames de rotina, pois a característica principal é o aumento do número de linfócitos no hemograma; algumas vezes pode haver anemia e/ou plaquetopenia.

Sinais e sintomas
Os sintomas relacionados podem ser inespecíficos como astenia, fraqueza e zumbido; pode ocorrer febre, adenomegalia (aumento de gânglios), aumento de baço e infecções recorrentes. É importante que se faça o estadiamento da doença, para conhecimento sobre a extensão da mesma.

Qual profissional procurar
Hematologistas especializados.

Detecção precoce
Atenção aos sinais e sintomas de cansaço, fraqueza, zumbidos e algumas vezes crescimento de caroços (gânglios) e se infecção de repetição.

Diagnóstico
Normalmente com exame de sangue hemograma já conseguimos fazer o diagnóstico mas há necessidade de exames como o mielograma, carótipo e Imunofenotipagem de medula óssea.

Tratamento
O tratamento da Leucemia Linfoide Crônica (LLC) pode ser desnecessário na fase inicial, porém torna-se imprescindível em fase mais adiantada. A quimioterapia é a base do tratamento, podendo ser utilizada droga única ou esquemas mais agressivos. A decisão pela melhor opção terapêutica deve levar em consideração a idade, situação clínica da doença, comorbidades associadas e prognóstico. É importante o suporte às complicações infecciosas, às vezes utilizando esquemas profiláticos ou imunoglobulinas. O transplante de medula óssea pode ser considerado em pacientes jovens nas suas diversas modalidades, como o transplante não mieloablativo. Atualmente existem novos exames, como a citogenética, que podem ser utilizados como parâmetro prognóstico.

 

A Leucemia Mieloide Aguda é uma doença pouco prevalente que acomete pessoas de diversas idades. Caracteriza-se pela substituição do tecido medular normal por células blásticas, ou seja, células hematopoéticas muito jovens e anômalas, que não preservam as funções originais.

Sinais e sintomas
Os sintomas decorrem da diminuição da função medular normal: anemia, infecções, manchas roxas espontâneas , sangramentos e muitas vezes febre.

Qual profissional procurar
Hematologistas especializados.

Detecção precoce
Ao observar os sinais e sintomas, procure logo um médico hematologista.

Diagnóstico
Algumas vezes somente com hemograma já podemos concluir por uma leucemia mas exames como mielograma , Imunofenotipagem de medula óssea e carótipo serão exames confirmatórios e necessários para se avaliar o prognóstico.

Tratamento
O tratamento da leucemia mieloide aguda (LMA)deve ser iniciado em caráter de urgência e baseia-se em quimioterapia para destruir as células neoplásicas e intenso suporte clínico especializado. Existem tipos diversos de leucemia mieloide aguda (LMA), com características intrínsecas que indicam maior ou menor agressividade e, portanto, maior ou menor chance de cura com o tratamento quimioterápico convencional. Identificar esses fatores logo ao diagnóstico é relevante já que se deve considerar o transplante de medula óssea autólogo ou alogênico como parte do tratamento.

A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é uma doença neoplásica caracterizada pela proliferação excessiva de células hematopoéticas. A alteração celular ocorre numa célula hematopoética primitiva e acomete o setor das hemácias, leucócitos e plaquetas, mas a manifestação laboratorial principal é de expressivo aumento do número de leucócitos.
A leucemia mieloide crônica (LMC) apresentou grande evolução em seu tratamento nos últimos anos, pois tem sido alvo de terapias novas voltadas especificamente para as alterações moleculares que a causam.

Sinais e sintomas
O paciente pode ou não ter sintomas. Alguns incluem cansaço, palidez, tonturas, inchaço e dor em abdome (devido ao aumento do baço). Existe uma característica citogenética típica que é a ocorrência do cromossomo Philadelphia, resultado da translocação entre os cromossomos 9 e 22. A doença apresenta uma fase crônica, que dura de meses a anos, evolui para a fase acelerada e, finalmente, para a fase aguda.

Qual profissional procurar
Hematologistas especializados.

Detecção precoce
O paciente pode descobrir-se portador de leucemia mieloide crônica (LMC) em exame de rotina, como em check-up preventivo (doença inicial).

Diagnóstico
O hemograma já poderá sugerir a doença mas há necessidade de realizarmos biópsia de medula óssea e cariótipo para confirmarmos o diagnóstico.

Tratamento
O tratamento inicialmente é feito com quimioterapia oral para redução do número de leucócitos e, posteriormente, com o estabelecimento de conduta mais definitiva. Para os pacientes que não tenham doador de medula óssea, o tratamento de escolha é o Imatinibe. O transplante de medula óssea é indicado para os pacientes com idade inferior a 55 anos, preferencialmente em fase crônica, que tenham doador totalmente compatível e que não responderam aos medicamentos via oral.

Dividida nas porções dos 2/3 anteriores (pertencentes a boca) e 1/3 posterior (pertencente à orofaringe). As duas regiões são demarcadas pelas papilas valadas, glândulas superficiais e arredondadas, disposta em “V” e por vezes confundidas com tumores. Os cânceres de boca, língua, faringe e laringe são chamados de cânceres da via aéreo-digestiva alta. Seu principal tipo é um tumor bastante agressivo denominado carcinoma epidermóide, cujos principais fatores de risco para seu desenvolvimento são a exposição ao fumo e ao álcool, sendo que um fator potencializa o risco do outro. Outros tipos menos frequentes são os carcinomas derivados das glândulas salivares menores, pequenas glândulas que revestem toda a superfície da região por debaixo da mucosa. Esses tumores não estão relacionados ao tabagismo e ao etilismo, mas demandam terapias semelhantes.

Sinais e sintomas
Aftas que não cicatrizam em cerca de 15 dias, lesões avermelhadas, feridas com úlcera ou endurecidas, fixação da língua (redução de sua capacidade de movimentação), dificuldade em abrir a boca, dor no ouvido, sangramento, odor fétido, dificuldade em engolir, nódulos no pescoço e emagrecimento.

Fatores de risco
Tabagismo isoladamente ou associado ao etilismo, traumas crônicos como condicionados por dentaduras mal ajustadas e dentes em mal estado com espículas que ferem a língua, infecção pelo HPV, dietas pobres em frutas e verduras, imunossupressão.

Qual profissional procurar
Cirurgião de cabeça e pescoço. O dentista pode auxiliar no diagnóstico ao exame físico e biópsia de lesões suspeitas.

Como prevenir
Cessação do tabagismo e etilismo, avaliação periódica com odontologista, ajuste adequado das próteses dentárias, sexo oral com proteção, tratamento de lesões chamadas de pré-neoplásicas – ainda não caracterizadas como câncer mas que poderão progredir para tal – higiene oral atenta e alimentação saudável.

Detecção precoce
Procurar avaliação do especialista após lesão ou sintomas persistentes por mais de 15 dias. Importância do auto-exame da cavidade oral e atenção ao pescoço.

Diagnóstico
Visualização de lesão em exame físico de boca e coleta de amostra para biópsia. Todos os pacientes, assim que diagnosticados, devem ser estadiados por meio dos exames físico e de imagem. O estadiamento determinará o estágio da doença e, a partir de então, determina-se a terapia, o prognóstico e a forma como deverá ser feito o seguimento futuro. A manutenção da exposição aos fatores de risco amplifica os riscos de recidiva e desenvolvimento de um segundo tumor. Recomenda-se o seguimento clínico pela vida toda.

Tratamento
Cirurgia, radioterapia com ou sem quimioterapia como tratamento complementar. As opções terapêuticas devem ser consideradas individualmente para cada caso em particular.

O Linfoma de Hodgkin é uma doença linfoproliferativa maligna de etiologia incerta que acomete o sistema linfoide e se caracteriza pela presença de célula maligna típica (Reed-Sternberg). Há um ligeiro predomínio de incidência entre os homens e ocorre principalmente entre jovens de 20 a 30 anos e após os 60 anos.

Sinais e sintomas
A manifestação clínica principal é aumento de gânglios (adenomegalia), que podem surgir em qualquer parte do organismo. O paciente com linfoma de Hodgkin pode notar aumento ganglionar em regiões como pescoço, axilas ou virilhas, ou pode ter sintomas decorrentes da compressão de órgãos pelos gânglios aumentados (tosse por compressão de vias respiratórias). Pode haver sintomas de febre, sudorese , emagrecimento e prurido cutâneo (coceira). O diagnóstico é feito a partir da biópsia ganglionar e é imperativa a realização do estadiamento clínico (verificação da extensão da doença no organismo).

Qual profissional procurar
Hematologistas especializados.

Detecção precoce
Adquira o hábito de palpar as nossa regiões de pescoço, axila e região inguinal e ficar atentos aos sinais de suores noturno e febre vespertina (à tarde e começo da noite).

Diagnóstico
O diagnóstico se dá por uma biópsia e exames conhecidos como Imunohistoquímica.

Tratamento
É uma doença cujo tratamento é altamente eficaz e a cura é obtida em grande parte dos casos. O tratamento é quimioterápico e pode ser associado com radioterapia. Em casos de retorno da doença ou casos que evoluam com resposta insatisfatória à quimioterapia convencional, o transplante de medula óssea autólogo pode representar boa alternativa.

O Linfoma Não Hodgkin faz parte de um grupo de doenças linfoproliferativas, neoplásicas malignas que originam-se da proliferação anormal de células linfoides. Mais frequentemente ocorre aumento anormal de gânglios (adenomegalia) que podem surgir em qualquer parte do organismo.

Sinais e sintomas
O paciente com linfoma não Hodgkin pode notar o aumento ganglionar (principalmente em regiões como pescoço, axilas ou virilhas) ou pode apresentar sintomas decorrentes da compressão de órgãos pelos gânglios aumentados (tosse por compressão de vias respiratórias). Pode haver sintomas de febre, sudorese noturna e emagrecimento.

Qual profissional procurar
Hematologistas especializados.

Detecção precoce
Atenção para o aparecimento de gânglios (caroços) no pescoço , axila e região inguinal ; atenção com sudorese noturna e perda de peso sem causa aparente.

Diagnóstico
O diagnóstico do linfoma não Hodgkin é feito a partir da biópsia ganglionar e é imperativa a realização do estadiamento clínico (verificação da extensão da doença no organismo). Existem diversos subtipos de linfoma não Hodgkin, alguns de crescimento lento, com sintomas discretos, enquanto outros podem surgir rapidamente e provocar sintomatologia exacerbada.

Tratamento
A terapia para linfoma não Hodgkin é diferenciada para cada um dos subtipos do linfoma e a escolha deve levar em consideração o tipo histológico, o estadiamento clínico, dados prognósticos, idade, entre outros. Pode-se realizar desde o seguimento clínico sem drogas ou tratamentos mais agressivos com quimioterapia. O transplante de medula óssea autólogo é utilizado em casos de recaída dos linfomas e como parte do tratamento inicial em alguns subtipos.

O Mieloma Múltiplo é uma doença neoplásica caracterizada pela infiltração da medula óssea por plasmócitos malignos (plasmócitos são células responsáveis pela produção de imunoglobulinas). No mieloma múltiplo (MM) ocorre aumento exagerado na produção de um tipo de imunoglobulina em detrimento da produção normal. A doença acomete principalmente indivíduos na sétima década de vida, sendo raro entre os indivíduos com menos de 40 anos.

Sinais e sintomas
O paciente apresenta frequentemente dores ósseas e é comum que fique por meses, ou até mesmo anos, sendo tratado com anti-inflamatórios. Infecções frequentes, fraqueza, fadiga, tonturas são sintomas comuns.

Qual profissional procurar
Hematologistas especializados.

Detecção precoce
Dores ósseas difusas, fraturas sem causa aparente, zumbido e tontura, cansaço fácil, lentificação de raciocínio e palidez das mucosas.

Diagnóstico
O diagnóstico e realizado através de exames no sangue que detectam a produção excessivas de algumas proteínas, exames na urina que detectam a produção de uma proteína chamada Bence Jones e mielograma ( avaliação da medula óssea).

Tratamento
O tratamento do mieloma múltiplo (MM) é feito com quimioterapia e é relevante o controle associado das infecções e das lesões ósseas, pois estas são as principais responsáveis pela morbi-mortalidade associada com a doença. O transplante de medula óssea faz parte do armamento terapêutico e hoje está comprovado que leva a uma melhora na qualidade de vida desses indivíduos.

O Neuroblastoma (NB) é a terceira neoplasia maligna mais comum na infância e adolescência, fica atrás apenas da leucemia e dos tumores do sistema nervoso central (SNC). Trata-se de um tumor sólido extracraniano mais comum em crianças e o mais comumente diagnosticado em lactentes menores de 1 ano. Corresponde de 8% a 10 % dos casos de neoplasias na criança, com prevalência de 1 caso a cada 7.000 nascidos vivos.

É uma neoplasia derivada do sistema nervoso simpático, tem origem em formas primitivas das células nervosas (geralmente encontradas no embrião ou no feto) do sistema nervoso simpático, que, por sua vez, é parte do sistema nervoso autônomo, que controla funções como respiração, pressão arterial, batimento cardíaco e digestão. A maioria dos neuroblastomas se desenvolvem nas glândulas adrenais, que ficam em cima dos rins, no abdome ou nas células nervosas próximas da coluna espinhal, os chamados gânglios dorsais.

Segundo a Dra. Emanuelle Tramonte, a doença tem comportamento clínico extremamente heterogêneo. “O neuroblastoma acomete lactentes e crianças, principalmente até 10 anos de idade. Mais de 80% dos casos são diagnosticados antes dos cinco anos de idade. Nos lactentes, o neuroblastoma é o câncer mais comum, sendo considerada a malignidade mais frequente no primeiro ano de vida”, explica a pediatra da Unidade de Hematologia Transplante de Medula Óssea Infantil do IBCC Oncologia.
Sua etiologia é desconhecida. Não há fatores ambientais ou exposições maternas que possam ter influência na ocorrência da doença. Pode estar relacionado a doenças com desenvolvimento nos tecidos da crista neural, como doença de Hirschprung, Hipoventilação Central e Neurofibromatose Tipo 1.

Sinais e sintomas
O conhecimento das formas de apresentação é importante para a detecção precoce. Os sinais e sintomas podem variar conforme a localização do tumor. O neuroblastoma pode surgir na glândula adrenal e/ou nas regiões cervical, torácica, abdominal e/ou pélvica, seguindo o trajeto de toda a cadeia do sistema nervoso simpático.

Os pacientes com doença loco-regional podem ser relativamente assintomáticos, enquanto aqueles com doença metastática podem se apresentar com febre, emagrecimento, dor, irritabilidade, parada da deambulação. A disseminação pode ocorrer via linfática ou hematogênica para linfonodos, medula óssea, osso, fígado, pele, órbitas, dura máter e, raramente, para pulmões e sistema nervoso central. Nesse grupo, podem ser observadas equimoses periorbitárias (sinal de Guaxinim) devido a infiltração tumoral dos ossos da face, além da febre, anemia ou sangramentos devido a infiltração medular pelo tumor. Nos lactentes, há um padrão de metástase especial (NB S) que é caracterizada por nódulos subcutâneos e/ ou infiltração hepática difusa com hepatomegalia associada a infiltração de medula óssea menor que 10%.

Diagnóstico
Consiste em uma anamnese e um exame físico detalhado, havendo suspeita, o médico poderá solicitar desde exames menos invasivos, como ultrassonografia (no pré-natal também é importante), tomografia computadorizada ou ressonância magnética, porém, o diagnóstico definitivo é baseado no estudo histológico com imunohistoquímica do tecido tumoral através de biópsia, ou presença de células tumorais no material de aspirado de medula óssea / biópsia de medula óssea.

Exames laboratoriais são necessários, porém, não patognomônicos, sendo eles, hemograma com plaquetas, LDH, Ferritina e catecolaminas urinárias ou séricas (ou seus metabólitos).

Localizações do Tumor
O local mais frequente do NB é o abdome, correspondendo a 65% dos casos, principalmente na glândula adrenal (em 40% das crianças e em 25% dos lactentes). Distensão abdominal, associado a dor e massa palpável ao exame físico, são os principais sintomas e indicam investigação com avaliação do tamanho tumoral, sua localização e o acometimento de outras estruturas representadas como achados de hepatomegalia, linfonodomegalias e outros sinais de metástase da doença. A presença de hepatomegalia maciça ao diagnóstico pode levar a quadro de insuficiência respiratória, principalmente nos lactentes.

NB torácicos apresentam-se como massas mediastinais de região posterior, alguns diagnosticados acidentalmente por meio de um achado radiológico, ou como síndrome de Horner (miose, prose unilateral e anidrose), ou síndrome de veia cava superior.

Nos casos de tumores paravertebrais, é importante observar e detectar sinais de compressão medular, como paraplegia aguda e subaguda, disfunção intestinal ou urinária, ou dor radicular. Esse quadro é considerado uma emergência médica, sendo necessária internação e tratamento imediatos.

O neuroblastoma tem relação com as seguintes síndromes paraneoplásicas:

• Síndrome opsoclonus-mioclonus (movimento ocular conjugado, com ou sem ataxia cerebelar)
• Síndrome da diarreia secretória intratável (diarreia causada pela secreção tumoral de substância vaso peptídeo-VIP

Classificação e estadiamento
O estadiamento da doença é realizado por estudos de imagem, como:

• RNM do sitio primário ou Tomografia computadorizada (TC): tórax, abdome e pelve
• Cintilografia óssea e com marcador 123I -MIBG (metaiodobenzilguanidina)
• Mielograma e biópsia de medula óssea
• Estudos moleculares têm sido incorporados na estratificação de risco dos pacientes, como pesquisa de amplificação do oncogene NMYC, a pesquisa da deleção do gene 11q e Ploidia do DNA, mutações no oncogene ALK e no receptor TRK.

Tratamento
O tratamento e prognóstico dos pacientes com neuroblastoma são definidos de acordo com os dados clínicos, histopatológicos e biológicos. Existe uma classificação atualizada de pré-tratamento que define o grupo de risco do paciente utilizando os dados como idade, estádio clínico radiológico, histologia, grau de diferenciação tumoral, além de dados citomoleculares do tumor como o estudo da amplificação do gene NMYC, deleção do 11q e ploidia do DNA.

A definição do tratamento será baseada na classificação do paciente em grupo de risco. Os pacientes identificados como grupo de baixo risco serão encaminhados para tratamento local com cirurgia. Aqueles com grupo de risco intermediário terão indicação de quimioterapia sistêmica (vincristina, ciclofosfamida, doxorrubicina, etoposídeo e cisplatina) associada à cirurgia; e os com grupo de alto risco receberão tratamento intensivo com quimioterapia em altas doses seguido de cirurgia, transplante autólogo de medula óssea, uso de ácido retinoico e imunoterapia”, complementa a Dra. Emanuelle.

A radioterapia pode ser utilizada em crianças com doença de risco intermediário ou de alto risco, ou quando os tumores são inoperáveis. A imunoterapia é a maneira mais moderna de tratar crianças com câncer de alto risco. Esta terapia é usada para estimular o sistema imunológico do organismo a combater o câncer.

Após o tratamento
O paciente deverá continuar o acompanhamento ambulatorial ao longo dos anos com a realização dos exames clínico e radiológicos nos primeiros anos para detecção de possível recaída da doença. Após os cinco anos no controle, o paciente retorna anualmente para consulta oncológica com ênfase na detecção de sequelas pós-tratamento.

Os efeitos tardios após o tratamento do neuroblastoma podem incluir: perda de audição, problemas ortopédicos – principalmente a escoliose, alterações hormonais como hipotireoidismo, retardo no crescimento, infertilidade, problemas neurológicos, psicológicos e emocionais, e menos frequentemente, o desenvolvimento do segundo câncer.

Prognóstico
O prognóstico depende de diversos fatores, como a idade da criança na época do diagnóstico (menores de 18 meses tem melhor prognóstico), se houve ou não disseminação do tumor e alguns atributos do tumor, as chamadas características biológicas (por exemplo, a aparência microscópica do tumor e alguns atributos do DNA dentro das células tumorais).

O melhor prognóstico ocorre em crianças mais novas, cujo câncer não se espalhou.

As taxas de sobrevida em crianças com doença de baixo risco e de risco intermediário são de aproximadamente 90%. A taxa de sobrevida em crianças com doença de alto risco costumava ser de aproximadamente 15%; porém, houve uma melhora nesta taxa para mais de 50% devido a métodos mais modernos e intensificados de terapia combinada.

Um dos tumores de mais difícil diagnóstico – devido ausência de sintomas nas fases iniciais – o câncer de ovário e trompas pode acometer mulheres de todas as idades. É a segunda neoplasia ginecológica mais comum e a maioria dos casos têm origem nas células epiteliais do ovário (95% dos casos), podendo também se originar nas células germinativas ou nas trompas (tubas uterinas).

Sinais e sintomas
Geralmente é diagnosticado por alterações de exame de imagem, que pode apresentar cisto com área solida em seu interior, com septações, ou conteúdo irregular. Pelo papel reprodutivo do ovário, ele não possui revestimento externo (serosa), o que facilita a disseminação dos implantes na cavidade abdominal, levando, muitas vezes, ao diagnóstico tardio, quando a paciente já apresenta dor, aumento do volume abdominal, alterações do habito urinário ou intestinal, perda de apetite, peso e fadiga/cansaço recorrente.

Fatores de risco
Idade avançada, história familiar de câncer de mama, colorretal ou ovário, mutações genéticas BRCA 1 e 2, muitos ciclos menstruais durante a vida (menarca precoce e menopausa tardia, na).

Qual profissional procurar
Recomenda-se visita anual ao Ginecologista para exame físico. O exame de ultrassonografia detecta aumento do volume ovariano ou tumorações suspeitas. Caso haja sintoma de dor pélvica procurar o médico com brevidade.

Como prevenir
Método contraceptivo hormonal (evitando a ovulação), manter o peso corporal adequado e realizar o exame ginecológico com frequência. O painel genético pode ser solicitado em casos de história familiar de câncer de mama, ovário e colorretal.

Detecção precoce
A detecção do câncer de ovário é feita por exame clínico e radiológico – geralmente ultrassom transvaginal – que detecta alterações ovarianas.

Diagnóstico
O diagnostico se dá pela biopsia (anatomopatológico) do cisto ou tumor ovariano, ou do ovário por inteiro retirado após a cirurgia.

Tratamento
Assim como no câncer de endométrio, o estadiamento e o tratamento são cirúrgicos, com cirurgia para retirada do cisto ou do ovário como um todo. Após o exame de congelação intraoperatório, se necessário a cirurgia é complementada por histerectomia, linfonodectomia e retirada de todos os implantes, sempre que possível. Em casos avançados, pode-se também completar ou iniciar o tratamento com quimioterapia, de acordo com a apresentação e tipo histológico do tumor, bem como estado clínico da paciente.

 

O pâncreas é uma glândula localizada atrás do estômago e intestino, tendo duas funções principais: a produção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue, e a produção de enzimas digestivas, que ajudam na digestão dos alimentos.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pâncreas representa 2% do total de casos diagnosticados no País e 4% das mortes. A maioria dos casos de câncer de pâncreas é de adenocarcinomas, que têm origem nas células que revestem os ductos por onde enzimas digestivas são liberadas. A maioria dos casos afeta o lado direito do órgão (a cabeça). O risco ao longo da vida de desenvolver a doença é de 1,6%. O risco é ligeiramente maior para homens do que para mulheres e a faixa etária típica no momento do diagnóstico é entre 65-74 anos.

Sintomas
O câncer de pâncreas não apresenta sintomas específicos e dificilmente é diagnosticado nos estágios iniciais, o que limita as opções de tratamento. Assim, pelo fato de ser de difícil detecção e ter comportamento agressivo, o câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade, por conta do diagnóstico tardio. Alguns sintomas, no entanto, podem ser encontrados:
    – Icterícia, ou seja coloração amarelada de pele e escleras;
    – Urina escura e fezes de cor clara;
    – Dor no abdome ou na lombar;
    – Sensação de empachamento;
    – Náusea, vômito ou indigestão;
    – Perda de peso inexplicável;
    – Aparecimento repentino de diabetes;
    – Cansaço;
    – Perda de apetite.

Fatores de risco
Os fatores de risco relacionados a doença são:
    – Tabagismo e uso de tabaco: as pessoas que fumam têm cerca de duas a seis vezes mais chances de desenvolver câncer de pâncreas. O fumo é o principal fator de risco para o câncer de pâncreas e vários outros, como boca, garganta, faringe, laringe, estômago, fígado, pulmão, rins, bexiga e leucemias, e causa 30% das mortes por câncer. Há relação direta entre o número de cigarros consumidos e a incidência de câncer de pâncreas;
    – Obesidade: estar muito acima do peso aumenta a chance de desenvolver câncer de pâncreas em 20%.

Outros fatores de risco para câncer de pâncreas não podem ser alterados, incluindo:
    – Idade: o risco de câncer de pâncreas aumenta muito após os 55 anos de idade;
    – História familiar: alterações genéticas hereditárias podem ser responsáveis por cerca de 10% dos cânceres de pâncreas;
    – Diabetes: pessoas com longa história de diabetes tipo 2 têm uma probabilidade aumentada de desenvolver câncer de pâncreas;
    – Pancreatite crônica: a inflamação a longo prazo do pâncreas está ligada ao aumento do risco de câncer de pâncreas.

Diagnóstico
Devido sua localização e ausência de sintomas específicos nas fases iniciais da doença, o diagnóstico requer exames complementares. Desta forma, vários testes diagnósticos geralmente são necessários para encontrar o câncer de pâncreas. A elevação de um marcador tumoral chamado CA 19.9 acontece em 80% dos casos. Em caso de suspeita de câncer de pâncreas, o médico pode pedir uma série de exames de imagem, incluindo tomografia, ressonância magnética, ultrassonografia endoscópica e colangiopancreatografia endoscópica retrógrada.

O laudo histopatológico, obtido após biópsia de material ou da peça cirúrgica define o diagnóstico da neoplasia. A biópsia não apenas confirma ou descarta o diagnóstico de câncer, como também mostra de que tipo de câncer se trata. Após o diagnóstico, é preciso realizar o estadiamento, uma forma de classificar a extensão do tumor, a quantidade de doença no corpo e onde ela se espalhou. Essa classificação vai de 0 a IV, em algarismos romanos, sendo este último o estágio mais avançado. Isso ajuda o médico a planejar a melhor maneira de tratar o câncer.

Tratamento
A abordagem multidisciplinar com cirurgia, quimioterapia e, às vezes, radioterapia é necessária. Independentemente de um tumor ser ressecável ou não, os planos de tratamento dos pacientes geralmente variam.

A cirurgia é o único tratamento que pode curar o câncer de pâncreas e as chances de cura estão diretamente associadas ao diagnóstico precoce. Em pacientes em que a retirada do tumor não pode ser realizada por algum motivo, a cirurgia paliativa oferece qualidade de vida, permitindo que o paciente possa se alimentar normalmente, reduzindo as dores nas costas e pondo fim à icterícia.

No caso de a doença ser metastática, ou seja, o câncer se espalhou para órgãos distantes e não pode ser completamente removido, quimioterapia é o tratamento de escolha, caso o paciente apresente boas condições clínicas e tolere o tratamento. Todo paciente deve ser tratado com quimioterapia no pós-operatório para destruir as células tumorais que ainda estiverem vivas.

Em pacientes com tumores avançados, também é utilizada a quimioterapia neoadjuvante, ou seja, antes da cirurgia, para reduzir o tumor e facilitar o procedimento cirúrgico. De toda forma, o suporte necessário para minimizar os transtornos gerados pela doença, como dor, depressão, falta de ar ou qualquer outra manifestação deve ser objeto da atenção da equipe de cuidados.

Controle de Sintomas – Doença Avançada
Operações cirúrgicas paliativas
Em muitos casos, o câncer não pode ser completamente removido porque se espalhou muito além do pâncreas ou para os principais vasos sanguíneos. Para esses pacientes, a cirurgia às vezes é usada para ajudar a aliviar os sintomas do câncer de pâncreas. O bloqueio do ducto biliar é o sintoma mais comum do câncer de pâncreas tratado com cirurgia. Os bloqueios podem fazer com que a bile vaze para os órgãos circundantes, levando a dor e problemas digestivos. Existem duas técnicas usadas para aliviar esse sintoma:

Colocação de stent
Um endoscópio é usado para inserir tubos de metal (chamados stents) que ajudam a manter o ducto biliar aberto. Isso geralmente é feito durante a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (ECRP).

Operações de by-pass
O fluxo da bile é redirecionado do ducto biliar diretamente para o intestino, ignorando o pâncreas. As operações de desvio podem fornecer alívio mais duradouro, mas têm períodos de recuperação mais longos do que as substituições de stent. Quimioterapia para câncer de pâncreas. Os medicamentos quimioterápicos matam células cancerígenas, controlam seu crescimento ou aliviam sintomas relacionados à doença.

A quimioterapia pode envolver um único medicamento ou uma combinação de dois ou mais medicamentos, dependendo do tipo de câncer e da rapidez com que ele está crescendo. Dependendo da ressecabilidade (probabilidade de que o tumor possa ser completamente removido por cirurgia) do câncer de pâncreas, a quimioterapia pode ser administrada:
Antes da cirurgia, para tentar reduzir o tamanho do tumor pancreático que precisa ser removido. Isso é chamado de terapia neoadjuvante.
Após a cirurgia, para destruir qualquer câncer que possa não ter sido completamente removido. Isso pode reduzir a chance de o câncer retornar e é chamado de terapia adjuvante.
Junto com a radiação, que é chamada de quimioradiação. Isso às vezes é usado para câncer de pâncreas localizado.

Existem muitos medicamentos quimioterápicos usados para tratar o câncer de pâncreas, incluindo:
    – Gemcitabina;
    – Nab-paclitaxel;
    – 5-fluorouracil (F-5U);
    – Irinotecano;
    – Oxaliplatina;
    – Capecitabina;
    – Cisplatina;
    – Irinotecano Lipossomal.

Com base na capacidade do paciente de tolerar a terapia, dois ou mais medicamentos quimioterápicos são normalmente administrados em combinação para tratar pacientes. Duas combinações de quimioterapia foram aprovadas para o tratamento inicial do câncer de pâncreas, incluindo:
    – Gemcitabina + nab-paclitaxel;
    – FOLFIRINOX (5-flurouracil, irinotecano e oxaliplatina).

Radiação para câncer de pâncreas
A radioterapia usa feixes de fótons de alta energia (raios-x) para retardar ou encolher tumores pancreáticos. Devido ao nível de precisão de alguns tipos de radioterapia, doses de radiação mais altas do que o normal (escalonamento de dose) podem ser consideradas e usadas sem danificar tecidos normais. O Dr. Anderson usa vários tipos diferentes de radioterapia para tratar câncer de pâncreas.

Radioterapia modulada por intensidade (IMRT)
Fornece feixes de radiação de vários ângulos diferentes usando imagens avançadas e técnicas computacionais. Devido à extrema precisão associada a esta terapia, doses de radiação mais altas do que o normal (escalonamento de dose) podem ser usadas. Este tipo de terapia geralmente é administrado entre 3-6 semanas e às vezes é administrado além da quimioterapia.

Radioterapia corporal estereotáxica (SBRT)
Também conhecida como radioterapia ablativa estereotáxica ou radiação corporal ablativa estereotáxica (SABR), a SBRT visa precisamente tumores com doses muito altas de radiação. A SBRT consegue isso usando vários feixes de radiação de várias intensidades voltados para o tumor de diferentes ângulos.

Radioterapia conformada 3D
O método tradicional que usa varreduras tridimensionais para fotografar o tumor antes de fornecer feixes de radiação. Este tipo de terapia geralmente é administrado por cerca de 2-6 semanas.

Terapia de prótons
Fornece feixes de prótons, em vez de feixes de fótons. Em algumas situações, os prótons causam menos exposição à radiação no tecido circundante do que os fótons. Este tipo de terapia pode ser usado para pacientes com câncer de pâncreas cuja doença recorre.

Referência:
1. Cancer de pancreas. inca.gov.br. 2022 Disponível em : https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-pancreas (Accessed on july 07, 2022). 2. Porta M, Fabregat X, Malats N, et al. Exocrine pancreatic cancer: symptoms at presentation and their relation to tumour site and stage. Clin Transl Oncol 2005; 7:189. 3. GBD 2017 Pancreatic Cancer Collaborators. The global, regional, and national burden of pancreatic cancer and its attributable risk factors in 195 countries and territories, 1990-2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017. Lancet Gastroenterol Hepatol 2019; 4:934. 4. National Comprehensive Cancer Network (NCCN). NCCN clinical practice guidelines in oncology. Available at: https://www.nccn.org/professionals/physician_gls (Accessed on july 07, 2022).

É preciso se atentar aos cuidados contra um tipo de câncer dos mais comum entre os brasileiros e que representa 30% de todos os tumores malignos registrados no Brasil. Apesar de a pele ser o maior órgão do corpo humano, são poucos aqueles que preocupam com a incidência dos raios de sol. Filtro solar é essencial para pessoas de pele clara quando expostas ao sol por um tempo mais prolongado, mas as pessoas de pele mais escura devem se proteger também. Em 2017, segundo o INCA, foram 181.430 novos casos.

Existem dois tipos de câncer de pele, os não-melanoma e os melanomas. Os não-melanoma representam 94% do total dos casos de câncer de pele e os dois tipos mais comuns são o basocelular (carcinoma de células basais) e o espinocelular (carcinoma de células escamosas). Estes acontecem quando há exposição crônica ao sol e atinge mais pessoas de pele e olhos claros e adultos acima de 40. Tem um índice elevado, mas se tratado precocemente o percentual de cura. Já o melanoma é um tipo menos frequente, tem o pior prognóstico e o mais alto índice de mortalidade. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, embora o diagnóstico de melanoma normalmente traga medo e apreensão aos pacientes, as chances de cura são de mais de 90%, quando há detecção precoce da doença.

O câncer de pênis é um tumor raro, sendo mais comuns em homens mais velhos. A média de idade é de cerca de 60 anos de idade, embora possa ser visto em homens com menos de 40 anos.

No Brasil, esse tipo de tumor representa 2% de todos os tipos de câncer que atingem o homem, sendo mais frequente nas regiões Norte e Nordeste.

Fatores de risco
Diversas condições estão associadas a um maior risco de desenvolvimento de câncer de pênis, como má higiene, presença de verrugas genitais e outras lesões penianas, infecção pelo HPV, assim como homens com fimose que não foram circuncidados.

Prevenção
A limpeza diária do órgão com água e sabão, principalmente após relações sexuais ou masturbação, é essencial para prevenção do câncer de pênis. Desde cedo, os meninos devem ser orientados quanto a necessidade de praticar a higiene íntima diariamente.

A cirurgia de fimose é outro fator de prevenção, procedimento simples e rápido, normalmente realizada na infância. Além disso, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, como vírus HPV, através do uso de preservativos, reduz o risco de desenvolvimento da doença.

Sinais e sintomas
O câncer de pênis é suspeito quando o homem apresenta uma massa ou úlcera peniana, principalmente naqueles que não foram circuncidados. Podem-se notar adenopatias inguinais, popularmente conhecidas como “ínguas próximas a virilha”. Outros sintomas como caquexia, confusão, tosse ou até mesmo dor óssea, também podem estar presentes quando outros órgãos já foram afetados pela doença (metástases).

Diagnóstico
O diagnóstico é possível através da biópsia incisional ou excisional da úlcera ou massa peniana. Excisional é quando toda a lesão é passível de ser retirada, com pouca ou nenhuma alteração na forma e função peniana. Todo material retirado na cirurgia deve ser encaminhado ao setor de patologia para confirmação diagnóstica histopatológica.

Estadiamento
Exames de imagem devem ser realizados para avaliar extensão da doença e se houve comprometimento de outros órgãos pela neplasia (investigação de metástases).

Os exames mais frequentes e úteis no estadiamento são: tomografias de tórax, abdome superior e pelve. Ressonância de pelve é muito útil para melhor avaliação de linfonodos pélvicos suspeitos para doença neoplásica.

Tratamento
O tratamento do tumor dependerá da sua localização, tamanho e extensão da doença, variando desde excisão limitada até cirurgia extensa, existindo estratégias que permitam a preservação do membro. Em alguns casos, a realização de quimioterapia e/ou radioterapia antes ou após a cirurgia pode ser indicada.

Referências
1. Instituto Nacional do Câncer
2. Ritchie AW (2004), Penile cancer in the UK: clinical presentation and outcome in 1998/99
3. American Joint Committee on Cancer.. Penis.. In: American Joint Committee on Cancer, 7, Edge SB, Byrd DR, Compton CC (Eds), Springer, New York 2010. p.447

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma), com estimativa de 65.840 casos novos em 2020, correspondendo a 29,2% dos tumores incidentes no sexo masculino.

A próstata é uma pequena glândula que fica abaixo da bexiga, anterior ao reto, envolve a parte inicial da uretra, e a sua função é a produção do líquido que compõe parte do sêmen. Ela é um órgão pequeno, medindo cerca de 4 x 3 x 2 cm e pesando cerca de 20g.

Com o passar dos anos, especialmente após os 50 anos de idade, há um crescimento de células normais, conhecido por hiperplasia prostática benigna – HPB. Isso pode causar dificuldades para urinar, redução de fluxo do jato urinário, urgência miccional (acordar no meio da noite para urinar), entre outros sintomas. A hiperplasia em si, no entanto, não tem nenhuma relação com o câncer de próstata.

O câncer de próstata ocorre quando algumas células sofrem mutação em seu DNA e passam a se proliferar de maneira descontrolada. Principais fatores de risco: idade avançada: aproximadamente 60% dos cânceres de próstata são diagnosticados em homens com mais de 65 anos; raça negra; histórico familiar: parentes de primeiro grau com câncer de próstata (pai ou irmão com a doença). Alterações genéticas hereditárias como mutações dos genes BRCA-1 ou BRCA-2 e Síndrome de Lynch também podem aumentar o risco de câncer de próstata.

Rastreamento
Não há sintomas específicos do câncer de próstata, inclusive podem ser silenciosos. Recomenda-se que homens a partir dos 45 anos de idade (com fator de risco) ou acima dos 50 anos de idade (sem fatores de risco) comecem acompanhamento com o urologista. É este o profissional que será responsável por examinar o paciente (toque retal) e solicitar o exame de rastreio (PSA – Antígeno Prostático Específico).

Entretanto, não há diretrizes para recomendar rastreamento universal da população, uma vez que, apesar de prevalente, a maioria dos cânceres de próstata não são agressivos e têm uma evolução lenta, sem trazer consequências mais sérias. Somente 15% dos cânceres de próstata são classificados como de alto risco (Chang et al, 2014), e estes, sim, são mais agressivos, com maior risco de evolução desfavorável.

Portanto, o rastreamento do câncer de próstata é dirigido a um grupo específico. Os benefícios são a possibilidade de detecção e introdução precoce de tratamento para a forma agressiva da doença. Por outro lado, o excesso de exames pode levar a resultados falso positivos ou falso negativos, gerar ansiedade, submeter pacientes a procedimentos desnecessários, instituir tratamentos (com toxicidade considerável) para doenças indolentes. Assim sendo, a recomendação é que o rastreamento de câncer de próstata seja discutido com seu médico, levando-se em conta presença ou não de fatores de riscos.

Como regra geral de prevenção, encoraja-se adoção de estilo de vida saudável, como dieta equilibrada e atividade física regular.

Diagnóstico radiológico
Os principais exames de imagem para avaliação do câncer de próstata são ultrassom de próstata para guiar biópsia. Ressonância magnética multiparamétrica é indicada para melhor avaliação das possíveis áreas de câncer na próstata ou se a doença cresceu para fora da próstata.

Tomografias computadorizadas de tórax, abdome e pelve ou ressonância magnética são úteis para avaliar possível doença disseminada em outros órgãos. A cintilografia óssea tem o objetivo de checar possíveis metástases ósseas, pois os ossos são o sítio mais frequente de metástases do câncer de próstata. Em casos muito específicos, PET-PSMA pode ser indicado. Observa-se que somente os tumores classificados como de alto risco têm indicação de investigação com tais exames de imagem. Enquanto que os casos de exame de toque normal, PSA baixo e pontuação de Gleason baixa podem não precisar de tais exames de imagem, uma vez que a chance da doença ter se disseminado é baixa. Cabe ao seu médico a indicação correta desses exames de imagem.

Diagnóstico patológico / molecular
O diagnóstico é realizado através da biópsia de próstata. Este é um procedimento médico, no qual uma agulha guiada pelo ultrassom é inserida através do reto e são retirados fragmentos da próstata. Estes fragmentos são analisados por um patologista que avaliará se há ou não células tumorais. Em casos positivos para câncer de próstata, o patologista analisa e fornece a graduação de Gleason ao primeiro e segundo padrões mais predominantes nas amostras de tecido da próstata. As duas notas serão, então, adicionadas para determinar sua pontuação no Gleason, que tem a ver com o comportamento biológico da doença. Assim sendo:
    Gleason 6: tumores de baixo grau;
    Gleason 7: tumores de grau intermediário
    Gleason de 8 a 10: tumores de alto grau.

Estadiamento
A doença localizada na próstata, isto é, sem disseminação para outros órgãos, pode ser classificação de risco em 5 grupos de risco:
    1. Muito baixo risco
    2. Baixo risco
    3. Intermediário (favorável ou desfavorável)
    4. Alto risco
    5. Muito alto risco

Esta classificação é feita de acordo com a extensão local da doença na próstata, valor de PSA inicial e Gleason. Assim, as condutas recomendadas diferem para cada grupo, de acordo com esta classificação de risco.

Em relação aos exames de imagem para checar se a doença está localizada na próstata ou se já disseminou para outras partes do corpo já foram mencionadas anteriormente na seção diagnóstico radiológico.

Tratamento da doença localizada
A doença localizada na próstata, isto é, sem disseminação para outros órgãos, pode ser tratada tanto com a cirurgia (retirada de próstata) ou com a radioterapia.Os casos classificados como muito baixo ou baixo risco podem ser somente acompanhados (vigilância ativa), sendo indicado tratamento em momento oportuno, em caso de sinais de progressão de doença. É importante frisar que este acompanhamento deve ser feito por seu médico, através de avaliações periódicas, seguindo critérios específicos.

Tratamento sistêmico da doença localizada (neoadjuvancia e adjuvancia).
Em casos de risco intermediário ou alto risco, tratamento com radioterapia é usualmente associado a hormonioterapia por aproximadamente 6 meses (no caso de risco intermediário) ou 2 a 3 anos (alto e muito alto risco). Quanto aos casos submetidos à cirurgia (prostatectomia), não é rotina complementação com hormonioterapia, exceto em casos mais avançados.

Tratamento sistêmico da doença avançada
É importante entender que o hormônio masculino testosterona é um promotor de proliferação de câncer de próstata. Assim, um dos pilares do tratamento é o bloqueio da testosterona, que pode ser feito através de cirurgia (orquiectomia) ou através de medicações injetáveis. Há ainda hormonioterapias por via oral, que podem complementar o bloqueio hormonal injetável, a depender da fase da doença.

A quimioterapia convencional também tem o seu papel na doença metastática no controle da doença metastática.

Mais recentemente, em alguns casos específicos de tratamento de metástases ósseas, tratamentos com radiofármacos se mostraram efetivos e podem ser utilizados.

Já em relação à nova modalidade da imunoterapia, muito divulgado para outros tumores, seu papel ainda não está bem estabelecido para o câncer de próstata, e, portanto, o seu uso deve se restringir a protocolos experimentais.

O câncer de pulmão é o tumor que se origina nas células dos alvéolos pulmonares, brônquios ou na traqueia. É o segundo tipo de neoplasia mais comum no mundo. Estima-se que mais de 2 milhões de pessoas foram diagnosticadas com a doença no ano de 2020. Existem diferentes subtipos de câncer de pulmão, sendo mais frequentes os tipos chamados de carcinoma pulmonar de não pequenas células (CPNPC), correspondendo a cerca de 85% dos casos, e o carcinoma de pequenas células (CPPC), responsável por aproximadamente 12% dos casos. Dentro do grupo dos CPNPC, os tumores são ainda subclassificados em adenocarcinomas, carcinomas de células escamosas e carcinomas de grandes células.

Os principais sintomas do câncer de pulmão são: tosse, falta de ar, rouquidão, sangramento pelas vias aéreas e dor torácica, porém outros sintomas também podem estar presentes. Na maioria das vezes, acomete indivíduos fumantes ou ex-fumantes, entretanto, em cerca de 15% dos casos, o diagnóstico é feito em pessoas não fumantes.

Rastreamento
É possível fazer diagnóstico mais precoce dessa doença em estágio mais inicial.

Diversos estudos mostram que a realização de tomografia de tórax anual por indivíduos fumantes ou ex-fumantes com alta carga tabágica é capaz de detectar tumores pulmonares em estágios iniciais, possibilitando a realização de cirurgia com maiores chances de cura. Já para pessoas não fumantes, essa estratégia não traz benefícios. Todavia, ao surgimento de sintomas sugestivos de câncer de pulmão, todas as pessoas, fumantes ou não, devem ser encorajadas a buscar um médico para avaliação clínica e se necessário, investigação.

Segundo esses estudos, a mortalidade por câncer de pulmão pode ser reduzida em até 20% se realizado o rastreamento com tomografia de tórax com pequenos cortes de imagem para diagnóstico da doença em estágio inicial.

Diagnóstico radiológico
A radiografia de tórax e a tomografia de tórax são geralmente os primeiros exames solicitados para investigar uma suspeita de câncer de pulmão. Frente a uma imagem sugestiva de tumor na tomografia de tórax, uma biópsia, que é a retirada de um fragmento do tumor para análise, deverá ser realizada para confirmar o diagnóstico. Esta pode ser feita por diferentes métodos, a depender da localização do tumor: por broncoscopia, mediastinoscopia, biópsia transparietal guiada por tomografia, ou mesmo uma biópsia cirúrgica (aberta).

Estadiamento
Após o diagnóstico de câncer de pulmão ser confirmado por biópsia, deve-se realizar o chamado estadiamento do tumor, que consiste na realização de exames de imagem para identificar a extensão do câncer no tórax ou mesmo se houve disseminação para outros órgãos. Os principais exames que são realizados para esta finalidade são tomografias de tórax e abdome, e cintilografia óssea. O PET CT também é um exame importante, especialmente em pacientes candidatos a cirurgia. Pacientes com sintomas neurológicos ou com tumores mais avançados também devem realizar ressonância magnética de crânio.

Após realização destes exames, os tumores serão classificados em estágios I a IV, de acordo com um sistema de classificação chamado TNM (onde “T” se refere ao tumor principal, “N” se refere aos gânglios linfáticos e “M” se refere à presença ou ausência de metástases). A classificação final terá impacto na escolha do tratamento.

Tratamento da doença localizada:

Cirurgia
A escolha do tratamento envolve uma equipe multidisciplinar, composta por médicos oncologistas, cirurgiões torácicos, radioterapeutas, radiologistas e pneumologistas, e depende principalmente de 2 fatores: tipo histológico e estágio do tumor.

Para os tumores do tipo células não pequenas em estágios I e II e, em alguns casos, no estágio III, a cirurgia é o tratamento de escolha. Vários tipos de cirurgia podem ser indicados, porém a preferencial é a lobectomia, que retira o lobo pulmonar onde o tumor está localizado, com margem de segurança, além de remover gânglios linfáticos responsáveis pela drenagem daquela região.

Outros tipos de cirurgia que também podem ser realizadas são a segmentectomia, que remove uma porção menor de um pulmão, a bilobectomia, que remove dois lobos ou a pneumectomia, que retira um pulmão inteiro. Os carcinomas de células pequenas raramente são de tratamento cirúrgico, porém a cirurgia pode ser empregada em casos selecionados de tumores em estágio I.

Radioterapia
A maior parte dos carcinomas de células não pequenas em estágio III não pode ser removida com cirurgia. Nesses casos, a radioterapia, geralmente combinada à quimioterapia, é o tratamento de escolha. A radioterapia utiliza radiação ionizante, aplicada na região onde o tumor está localizado, para destruir as células tumorais. A modalidade mais comum de radioterapia é a tridimensional conformada, que utiliza imagens tridimensionais, como a da tomografia, em seu planejamento, diminuindo a exposição dos tecidos saudáveis à radiação e evitando efeitos colaterais. A radioterapia combinada com quimioterapia também é considerada o tratamento padrão para os carcinomas de pequenas células localizados.

Quimioterapia adjuvante e neoadjuvante
Em pacientes com carcinomas de células não pequenas em estágios II e III, a cirurgia sozinha não é suficiente para garantir as melhores taxas de cura. Nessas situações, lançamos mão de terapias sistêmicas, como a quimioterapia, a imunoterapia e terapia alvo para diminuir o risco do surgimento de metástases. As terapias adjuvantes são aquelas administradas após a cirurgia, para eliminar eventuais células cancerígenas que não foram removidas pela cirurgia. Atualmente, temos aprovados no Brasil protocolos de tratamento adjuvante com quimioterapia, imunoterapia e terapia alvo para tumores com mutação do gene EGFR. Já a terapia neoadjuvante é aquela realizada antes da cirurgia. Visa diminuir o tamanho do tumor, melhorando a condição cirúrgica do paciente, e também eliminar a chamada doença micrometastática. A terapia neoadjuvante é feita com quimioterapia e, mais recentemente, com imunoterapia.

Tratamento sistêmico da doença avançada
Os tumores em estágio IV são chamados de avançados. Nesta situação, o tratamento é considerado paliativo, isto é, sem possibilidade de cura. Porém, nos últimos anos, muitos avanços no entendimento da biologia (avaliação genética) dos tumores pulmonares (avaliação individualizada) e, consequentemente, em seu tratamento, têm levado a um importante aumento da sobrevida destes pacientes. Para os carcinomas de células não pequenas, a escolha do tratamento inicial é complexa, individualizada, e depende da presença ou ausência de certas mutações genéticas no tumor (avaliação de genes específicos tumorais como por exemplo: EGFR, RET, MET, KRAS, entre outros) e também da expressão de uma proteína chamada de PD-L1. Com base nestes resultados, será feita a opção pelo tratamento com imunoterapia, quimioterapia ou drogas alvo-moleculares, dependendo do resultado dos genes avaliados e de mutações descobertas para cada paciente.

No caso dos carcinomas de células pequenas, o tratamento é feito com quimioterapia e imunoterapia. É importante ressaltar também que novas drogas estão em desenvolvimento, e que, sempre que possível, a participação dos pacientes em pesquisas clínicas deve ser encorajada.

O câncer de rim é um tipo de câncer em que as células tumorais originam-se do rim. O tipo mais comum é o carcinoma de células renais, em que o tumor se origina das células que revestem os túbulos renais. Os túbulos renais têm como função remover o excesso de água e outros componentes do sangue e formar a urina.

Outros tipos de câncer de rim são carcinoma papilar, carcinoma cromófobo, carcinoma de células transicionais, tumor de Wilms e sarcoma renal.

Rastreamento
Não há exames de rastreio para câncer de rim em pessoas que não possuem fator de risco alto para o câncer de rim, por exemplo, alteração genética como a doença de von Hippel-Lindau.

Em indivíduos com risco usual para câncer de rim, nenhum teste de rastreio apresentou impacto na mortalidade por câncer de rim. Dessa forma, não é recomendado.

Fatores de risco
Um fator de risco é algo que aumenta o risco para desenvolver uma doença, como o câncer. Mas ter um ou mais fatores de risco não irá levar obrigatoriamente ao aparecimento da doença.

Em relação ao câncer de rim, alguns fatores de risco foram identificados, como tabagismo, obesidade, hipertensão arterial, histórico de câncer de rim na família, sexo masculino, insuficiência renal avançada, exposição ambiental a tricloroetileno, alterações genéticas.

Prevenção
Há algumas maneiras de reduzir o risco de desenvolver o câncer o rim, através dos hábitos de vida. Não fumar, manter peso adequado, praticar atividade física, ter alimentação saudável com frutas e vegetais.

Diagnóstico radiológico
Os exames de imagem, como tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética, ultrassonografia conseguem criar imagens do interior do corpo. Dessa forma, o médico consegue identificar áreas suspeitas e saber se o câncer espalhou para outros órgãos.

Ao contrário da maioria dos outros tipos de câncer, é possível o diagnóstico de câncer de rim através das imagens. No entanto, em alguns casos, é necessária a biópsia.

Diagnóstico patológico/molecular
A biópsia é feita através da retirada de uma pequena amostra de onde o provável câncer está localizado. Em casos em que há a suspeita de que o câncer tenha se espalhado para outros órgãos, a biópsia pode ser feita no local da metástase, em vez de ser realizada no próprio rim.

Caso o exame de imagem já tenha sido suficiente para avaliação do tratamento cirúrgico, então a peça cirúrgica é analisada para diagnóstico patológico, sem necessidade de biópsia prévia. 

Todo o material da biópsia e/ou cirurgia é enviado ao laboratório e analisado pelo médico patologista, especialista no diagnóstico de doenças através da análise das células e tecidos através do microscópio.

Estadiamento
O estadiamento do câncer é a forma de descrever a extensão da doença no momento do diagnóstico, baseado nos exames de imagem e da patologia. Auxilia a predizer o provável curso da doença, ou seja, o prognóstico. Por fim, com base no estadiamento, são tomadas as decisões do tratamento oncológico.

Tratamento da doença localizada

Cirurgia
A cirurgia é o tratamento principal na maioria dos casos de câncer de rim e muitas vezes pode ser o único tratamento curativo necessário. A depender do estadiamento, da localização do tumor e de outros fatores, pode ser realizada cirurgia que retira o tumor e todo o rim, conhecida como nefrectomia radical, ou a retirada do tumor com parte do rim ao redor, conhecido como nefrectomia parcial. Em alguns casos, também pode ser removido a glândula suprarrenal e linfonodos regionais.

Radioterapia
A radioterapia algumas vezes pode ser utilizada para tratamento do câncer de rim, caso o indivíduo não esteja bem o suficiente para realizar a cirurgia ou possua apenas um rim. Porém, outros tratamentos poderão ser realizados, preferencialmente, a depender da avaliação individual de cada paciente.
Para pessoas com câncer de rim, a radioterapia é mais comumente utilizada para tratar e aliviar sintomas, como dor ou sangramento.

Neoadjuvância e adjuvância
Após a cirurgia, algumas pessoas estão em maior risco do câncer retornar. Então, com base no estadiamento e fatores prognósticos, pode ser necessário tratamento sistêmico, que age por todo o corpo. Tais tratamentos podem ser: terapia alvo, imunoterapia ou quimioterapia. No caso de câncer de rim, a quimioterapia é utilizada para alguns tipos mais raros de cânceres.
Pode ser necessária a interrupção de algumas medicações, alimentos ou suplementos durante o tratamento sistêmico, pois podem interferir na ação da medicação oncológica.

Tratamento sistêmico da doença avançada
Caso o câncer de rim tenha se espalhado e atingido outros órgãos ou linfonodos à distância, é identificado como estádio IV. A escolha do tratamento vai ser baseada na extensão e volume do câncer, na condição de saúde do paciente e sintomas por ele apresentados. Usualmente é indicado o tratamento sistêmico, que inclui terapia alvo, imunoterapia ou uma combinação dos tratamentos. A quimioterapia pode ser utilizada em alguns subtipos de câncer de rim ou caso outras terapias tenham falhado na tentativa de combate à doença.

Referência
https://www.nccn.org/patients/guidelines/content/PDF/kidney-patient.pdf
https://www.cancer.org/cancer/kidney-cancer

Os tumores do SNC, tanto em adultos quanto em crianças, geralmente surgem em diferentes áreas e a partir de diferentes tipos de células e têm tratamentos e prognósticos diferentes.
O cérebro e a medula espinhal formam o Sistema Nervoso Central (SNC) e os tumores desta região devem-se ao crescimento de células anormais nos tecidos dessas localizações. O câncer do SNC representa de 1,4 a 1,8% de todos tumores malignos no mundo. Cerca de 88% dos tumores de SNC são no cérebro.

Sinais e sintomas
Dor de cabeça- Cefaleia, acompanhado ou não de vômitos;
Dor na Coluna ou em trajetos de nervos nos casos de metástases de coluna vertebral;
Alterações do nível de consciência como confusão mental, sonolência, Coma; Crises convulsivas;
Alterações visuais, as vezes auditivas, olfativas, táteis;
Paralisação da movimentação de um ou mais membros do corpo, etc.

Fatores de risco
Neoplasias prévias que comumente evoluem com Metástases a distância, tabagismo, exposição a fatores ou substâncias cancerígenas, entre outras.

Qual profissional procurar
Em casos de aparecimentos de alguns desses sintomas marcar consulta com neurocirurgião, ou em caso de urgência procurar o Pronto Atendimento onde será acionada a Equipe de Neurocirurgia para avaliação em caráter de urgência.

Como prevenir
Sempre manter as consultas com seu oncologista em dia, pois com qualquer sinal ou sintoma de aparecimento de lesão neurológica ele encaminhará ao especialista para tratamento especializado.

Detecção precoce
Sempre manter as consultas com seu oncologista em dia, pois com qualquer sinal ou sintoma de aparecimento de lesão neurológica ele encaminhará ao especialista para tratamento especializado.

Diagnóstico
Será feito por consulta ou avaliação quando internado pelo Neurocirurgião, além de exames complementares como Tomografias, Ressonância, PET, Líquor, todos disponíveis no IBCC.

Tratamento
Após avaliação personalizada de cada caso, em decisão conjunta com as equipes de Oncologia e outras pertinentes, será optado, sempre baseado na mais moderna Literatura Científica e em protocolos embasados em estudos clínicos; a melhor opção de tratamento. Nos casos em que houver indicação de cirurgia neurológica, a Equipe de Neurocirurgia assumirá ou acompanhará o paciente até o final do tratamento, quer seja internado ou ambulatorial, dando todo apoio médico assistencial ao paciente e seus familiares.

O câncer de testículo é responsável por 5% dos casos de câncer nos homens. É mais frequente em homens em idade reprodutiva, e a média de idade ao diagnóstico é de 33 anos. Devido ao fato de o tratamento ter uma alta chance de sucesso, mortalidade do câncer de testículo é baixa: o risco de morte por essa doença é de cerca de 1 em 5.000 homens.

Algumas situações clínicas benignas como orquites e orquiepididimites podem ser confundidas com o câncer de testículos, o que justifica uma atenção cuidadosa ao serem observados quaisquer sintomas.

Fatores de risco
    – Histórico familiar positiva para neoplasia de testículo;
    – Antecedente de câncer no testículo contralateral;
    – Não descida de um ou dos dois testículos para a bolsa escrotal na infância (criptorquidia);
    – Exposição a agrotóxicos.

Principais Sinais e Sintomas

Da doença localizada
O principal sintoma é o surgimento de nodulação endurecida na superfície do testículo ou aumento do volume de um dos testículos, frequentemente indolor. Podem ainda ocorrer dor ou aumento do volume das mamas (tumores de células germinativas podem aumentar os níveis de
um hormônio chamado gonadotrofina coriônica, que promove o desenvolvimento das mamas, sintoma conhecido como ginecomastia).

Da doença avançada
A doença avançada cursará com sintomas a depender dos locais para onde o câncer disseminou. Assim, citamos como exemplos:
    • Dor abdominal ou lombar, que pode ser sinal de disseminação para os linfonodos abdominais ou retroperitoneais;
    • Tosse ou falta de ar, que podem ser sinais de disseminação pulmonar;
    • Cefaleia, vertigens, confusão mental ou crises convulsivas, que podem ser sinais de disseminação para o cérebro.

Diagnóstico
O diagnóstico do câncer de testículo se baseia nos dados da história clínica do paciente, que levam à suspeita diagnóstica. Os dados de exame físico corroboram para a suspeita, onde podem ser identificados a tumoração no testículo bem como sinais de disseminação. Exames complementares como a ultrassonografia da bolsa escrotal e a dosagem laboratoriais de marcadores tumorais podem confirmar a suspeita diagnóstica, e a tomografia computadorizada do tórax e do abdome fornecem os dados necessários para o estadiamento da doença.

Tratamento
De uma forma geral, o tratamento inicial é fundamentalmente cirúrgico se a doença for localizada. O mais comum é proceder a retirada total do testículo acometido, e o tratamento pode ser complementado com outras modalidades de terapia contra o câncer, que inclui quimioterapia, radioterapia e transplante de células tronco. É fundamental lembrar que o diagnóstico precoce é de extrema importância para o sucesso do tratamento, mesmo levando em consideração o fato de tratar-se de uma doença com baixa mortalidade: a doença localizada tem uma taxa de sobrevida em 5 anos que chega a 99%, enquanto a doença localmente avançada chega a 96% e a doença metastática a 73%.

Para a doença mais avançada, após a retirada do testículo, pode ser necessário adicionar a quimioterapia e radioterapia, além de cirurgias futuras para a retirada de lesões residuais.

A abordagem ideal do paciente inclui uma equipe multidisciplinar que conta com o apoio dos médicos urologistas, oncologistas clínicos e radio-oncologistas, tanto quanto das equipes de enfermagem, nutrição, psicologia e fisioterapia.

Dr. Fernando Prearo

A tireoide é uma glândula que produz hormônios relacionados ao metabolismo – ou ao ajuste do funcionamento do organismo. Lembra uma gravata borboleta e localiza-se na base da região anterior do pescoço. O desenvolvimento de nódulos não necessariamente está relacionado a alterações de produção hormonal, e esses podem ser benignos (maioria das vezes) ou malignos (cânceres).

Sinais e sintomas
Aumento do volume da porção anterior do pescoço, nódulos palpáveis no pescoço ou visíveis como lesões que se movimentam ao se falar e engolir, incômodo ao engolir e respirar e rouquidão (em casos volumosos ou cânceres invasivos). Na maioria das vezes os nódulos – se não relacionados à alteração da função – são assintomáticos e diagnosticados em exames de ultrassonografia de rotina.

Fatores de risco
Histórico familiar para câncer de tireoide e antecedente de exposição à radiação especialmente na infância e adolescência (como exames de imagem repetidos com emprego de radioatividade ou tratamento prévio com radioterapia na região do pescoço). Na maioria dos pacientes, no entanto, o fator desencadeante não é reconhecido. Aqueles com histórico de tireoidite e hipotireoidismo de longa data têm riscos maiores de desenvolvimento do câncer desta glândula. 

Qual profissional procurar
Cirurgião de cabeça e pescoço.

Como prevenir
Hábitos de vida saudáveis, check ups de rotina, consultas periódicas com o especialista se alguma disfunção glandular, autoexame do pescoço.

Detecção precoce
Por meio de exames de ultrassonografia cervical, especialmente em grupos de indivíduos com fatores de risco.

Diagnóstico
Realizado por meio da punção aspirativa por agulha fina dirigida aos nódulos e análise do material aspirado.

Tratamento
Retirada cirúrgica da tireoide com possibilidade de complemento do tratamento com radioiodoterapia, definido caso-a-caso. Conta com excelente prognóstico na maioria dos casos, se com diagnóstico precoce e adequadamente tratado.

Corresponde a menos de 1% dos tumores malignos da mulher e é responsável por 3% a 5% das neoplasias malignas do trato genital feminino, com incidência anual de 1 a 2 casos a cada 100 mil mulheres nos EUA. No Brasil, o INCA (Instituto Nacional de Câncer) não possui estimativas para o câncer de vulva. A média de idade ao diagnóstico é 70 anos, e a incidência aumenta com o envelhecimento.

Existem vários subtipos histológicos de câncer de vulva/vagina entre eles: carcinoma de células escamosas (75% dos casos), carcinoma basocelular, adenocarcinoma, melanoma, sarcomas, tumor filóides maligno, neoplasia neuroendócrina, doença de Paget, tumores de células germinativas, linfóides, mielóides e merkel.

Fatores de risco
A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) está associada à maioria dos carcinomas de células escamosas vulvares e vaginais. Outros fatores de risco são: tabagismo, síndromes de imunodeficiência e líquen escleroso (câncer vulvar).

Sinais e sintomas
O sangramento é a apresentação clínica mais comum, porém também podem estar presentes prurido, dor e corrimento vaginal. Em alguns casos pode-se observar área hipercrômica (escurecida) e irregular, massa vaginal/vulvar e linfonodomegalias inguinais (“ínguas na virilha”).

Diagnóstico
Deve ser obtida uma história ginecológica completa, incluindo antecedentes de outras neoplasias malignas como por exemplo câncer de colo de útero, porque a história de outras malignidades ginecológicas pode excluir o diagnóstico de câncer vaginal/vulva.

O exame físico completo é primordial para se obter o diagnóstico. Inicialmente deve ser realizado inspeção e palpação da vulva e da virilha em busca de lesões, alterações de cor, massas ou ulcerações e em seguida deve-se prosseguir com o exame especular para avaliar a vagina minuciosamente, incluindo visualização de toda a circunferência e dos fórnices, movendo a posição do espéculo. Quaisquer áreas ou massas anormais devem ser biopsiadas.

Uma amostra de citologia vaginal deve ser obtida durante o exame pélvico e se uma lesão não for visualizada e houver resultados citológicos anormais, a colposcopia (exame da vagina, do colo do útero e da vulva através de um aparelho chamado colposcópio) deverá ser realizada com ácido acético seguido de coloração com iodo. Se uma lesão macroscópica for visualizada ao exame ginecológico, alguns especialistas aconselham a realização de colposcopia vaginal para examinar o restante da vagina.

Tratamento
O tratamento de câncer vulvar/vaginal pode ser realizado através da cirurgia, quimioterapia e/ou radioterapia. O tratamento de escolha baseia-se na extensão da doença e localização do tumor.

No caso de câncer vulvar/vaginal inicial é realizada a remoção de toda a vulva ou de uma parte dela, em um procedimento chamado vulvectomia. Os linfonodos adjacentes geralmente também são removidos, ou o médico realiza uma dissecção de linfonodo sentinela – a remoção do primeiro linfonodo que seria afetado pelo câncer, enviando o material para avaliação microscópica (patologia). Em casos mais avançados a radioterapia pode ser realizada concomitante a quimioterapia antes da vulvectomia (chamado tratamento neoadjuvante). Este protocolo pode reduzir o tamanho de tumores muito grandes, facilitando sua remoção posterior.

Rastreio
Não existe exame de rastreamento para o câncer de vulva/vaginal, sendo o exame físico (exame ginecológico) o mais importante para identificar tumores em fase inicial, aumentando as chances de cura após o tratamento.


Referência:
www.inca.gov.br
www.cancer.gov

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