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Em bate papo sobre Mieloma Múltiplo IBCC reúne especialistas e pacientes para debater doença pouco conhecida

22 de março

 Em pesquisa de Associação, 98% dos diagnosticados nunca tinham ouvido falar sobre a doença

 O Mieloma Múltiplo é um tipo de câncer de baixa incidência, representa apenas 1% de todos os tipos de câncer e 10% dos cânceres hematológicos (estima-se, no Brasil, 7.600 mil novos casos por ano). Trata-se de uma doença neoplásica caracterizada pela infiltração da medula óssea por plasmócitos malignos (células responsáveis pela produção de imunoglobulinas). No mieloma múltiplo (MM), ocorre aumento exagerado na produção de um tipo de imunoglobulina em detrimento da produção normal, segundo a Dra. Manuella Almeida, oncohematologista do IBCC. A doença tem baixa relação com hereditariedade, apenas 5% e tem maior prevalência no sexo masculino, com relação de 2 homens para cada mulher diagnosticada.

Ontem (20), o IBCC promoveu um bate papo sobre a doença, além da médica, a enfermeira Daniela Moreira destacou a importância do conhecimento científico, técnico e da atitude da equipe na assistência desse paciente que necessita ser olhado também por uma equipe multiprofissional (psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, nutricionista, dentista, farmacêutico e equipe médica de hematologistas exclusiva). Na oportunidade, Carlos Roriz, comerciante que convive com o diagnóstico há 12 anos, relatou a dificuldade de enfrentamento da doença. “Eu demorei a entender que havia passado a fazer parte do lado de uma parcela da população que é doente, que eu tinha limitações e que não há motivos para questionarmos o porque de ser conosco, mas de olhar como poderemos superar já que não há uma cura para o mieloma, mas possibilidades de ter qualidade de vida”, frisa.

Durante o bate papo, o presidente da ABRAMM, Associação Brasileira de Mieloma Múltiplo, Rogério de Souza, apresentou o levantamento feito em 2017 pela Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE) com 200 pacientes de todo o Brasil: 29% deles levaram mais de 1 ano para receber o diagnóstico de Mieloma Múltiplo, 44% tiveram dificuldades para receber esse diagnóstico, 20% tiveram o diagnóstico inconclusivo, 37% passaram por vários médicos para enfim serem diagnosticados e 98% dos diagnosticados nunca tinham ouvido falar sobre a doença.

“É uma doença pouco conhecida até mesmo pela classe médica que está na assistência primária. Precisamos difundir informações sobre o Mieloma para que os diagnósticos sejam mais ágeis”, pontuou. Entre os sintomas, o paciente apresenta frequentemente dores ósseas e é comum que fique por meses, ou até mesmo anos, sendo tratado com anti-inflamatórios. Infecções frequentes, fraqueza, fadiga, tonturas são sintomas comuns. O mieloma múltiplo (MM) acomete principalmente indivíduos a partir dos 70 anos, sendo raro entre os indivíduos com menos de 40 anos.

O diagnóstico costuma ser tardio pois muitos dos pacientes relevam sintomas importantes tais como cansaço intenso, sonolência e fraqueza que normalmente está relacionado com a anemia e dores ósseas, que muitas vezes são automedicadas pelo paciente. “É preciso estar atento a estes sintomas e comunicar ao seu médico. Nos EUA existem campanhas nas estradas que alertam para atenção com as dores nas costas, pois podem ser devido ao MM”, conclui a médica Dra. Manuella.

Sueli Pena, representante comercial autônoma diagnosticou o Mieloma há 3 anos. No início não entendia sobre a doença, mas com o apoio familiar conseguiu superar e hoje já retornou aos trabalhos.

Tratamentos

Segundo o dr. Roberto Luiz, coordenador da Unidade de Hematologia e Transplante de Medula Óssea do IBCC, o tratamento do mieloma múltiplo (MM) é feito com quimioterapia e é relevante o controle associado das infecções e das lesões ósseas, pois estas são as principais responsáveis pela morbi-mortalidade associada com a doença. O transplante de medula óssea faz parte do armamento terapêutico e hoje está comprovado que leva a uma melhora na qualidade de vida desses indivíduos.

“O transplante de medula óssea tem sido considerado internacionalmente como a melhor ferramenta terapêutica para manter um maior período de resposta satisfatória e melhor qualidade de vida para os pacientes portadores de mieloma múltiplo. Embora muitas drogas novas tenham sido proposta como parte do tratamento, o transplante permanece como sendo o melhor tratamento”, destaca o médico.

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