Aposentado em tratamento paliativo faz vaquinha virtual para conhecer Israel

29 de outubro

Saúde Integrativa do IBCC Oncologia contribuiu para tornar paciente protagonista do próprio tratamento

Um piscar de olhos e a vida já não é mais a mesma. Quando recebeu diagnóstico de câncer de próstata, em 2014, Walter Michel, 72 anos,  pensou em tudo que abandonaria, caso não sobrevivesse. As duas filhas, que não veria casar e ter filhos e lembrou também de cada um dos sonhos que deixaria em aberto.

Um deles conhecer Israel e passar pelos caminhos em que Jesus trilhou na cidade Santa de Jerusalém. “Muito já li, ouvi e assisti sobre a maravilha que é pisar naquele lugar sagrado e de renovação da fé. Israel é considerado a Terra Santa bíblica por judeus, cristãos e muçulmanos”, lembra.

Quando a filha mais nova terminasse a faculdade, num futuro distante, Walter, seguiria viagem até aquele que seria o país em que “tudo começou”, como o próprio Walter diz.

Entretanto a vida dá voltas e quando percebeu já estava aposentado e com o câncer de próstata em estágio avançado. Não tinha plano de saúde e não tinha economias suficientes para o tratamento oncológico. Ele fez todo o tratamento pelo Sistema Único de Saúde, no IBCC Oncologia. Passou por cirurgia, sessões de quimioterapia e radioterapia. Hoje a doença dele é considerada estável. Continua o tratamento oncológico em conjunto com Cuidados Paliativos e a Saúde Integrativa que resultaram em melhor controle de dor e depressão.

A ideia da viagem ressurgiu logo após iniciar o tratamento paliativo. “Estava bem baixo astral. Nem atender o telefone das meninas do IBCC eu atendia. Havia desistido da vida. Mas a Dra. Juliana Barros, coordenadora da Saúde Integrativa do IBCC Oncologia me aconselhou a focar em um projeto, para não ficar tão ansioso”, declara.

“Fui para casa com aqueles conselhos em mente. Achei absurda toda a história da Dra. Juliana. Com o passar do tempo – pelo menos dois meses – voltei às consultas com a médica, após ter digerido o que gostaria de fazer da vida e resolvi tentar”, lembra.

Uma das minhas filhas teve a ideia de fazer a campanha de financiamento coletivo para possibilitar a aventura ao Waldir. Ele recorre à solidariedade alheia para dar forma ao sonho, que sofreu adaptações no meio do caminho e ficou menos ousado, mas não menos importante. “A gente tem de se adaptar à vida. Não é porque um sonho não pode ser realizado da forma que você pensou que ele tem que morrer”, diz. A vaquinha vai reunir o valor necessário (R$ 17 mil) para custear a viagem.

Medicamentos para controlar o avanço do câncer – e os sonhos- ajudam a mantê-lo vivo. “Ter planos é o que me faz seguir em frente. Entre uma consulta com o acupunturista e outra com a psicóloga vou organizando e planejando a minha rota da viagem”, diz. “Desde o começo as pessoas olham para mim e dizem: ‘– Você nem parece ter câncer’. Nós precisamos nos livrar desse estereótipo da pessoa doente incapacitada. É possível viver com a doença, não vou desistir da vida”, afirma.

A Saúde Integrativa está em ascensão. Um campo de estudo que busca trazer abordagens complementares, de maneira segura aos tratamentos oncológicos. Ela une a medicina tradicional do oriente, com a abordagem holística que lhe cabe, e a do ocidente, apoiada na produção científica e tecnológica. A ideia é buscar melhorar a experiência do paciente durante o tratamento contra o câncer por meio da ampliação do conceito de saúde com foco no bem-estar físico, emocional, social e espiritual. São práticas meditativas, técnicas de respiração, métodos para o relaxamento, manipulação corporal por meio de massagens, sessões de terapia, entre outras. Recursos aliados à medicina convencional que elevam drasticamente a qualidade de vida do paciente com câncer.

Especialidades complementares da Saúde Integrativa podem incluir: nutrição, psicologia, acupuntura, reiki, fisioterapia, terapia ocupacional, yoga e quiropraxia e que reunidas tem revolucionado a busca por melhoras significativas do estresse, depressão, ansiedade, fadiga, dor, qualidade de vida e bem-estar de pessoas que vivem o câncer.

No IBCC Oncologia a Saúde Integrativa reúne profissionais de diversas áreas e formações. Para cada paciente é desenvolvido um plano de tratamento individualizado, baseado em demandas e necessidades da pessoa tratada. *por hora somente a oncologia por encaminhar para saúde Integrativa

De acordo com a médica Juliana Barros os pacientes são orientados a reconhecer, administrar e diminuir os fatores estressantes. “O paciente deve ter um olhar para si com acolhimento e compaixão. Ter consciência do que sente, das emoções, do corpo. Quando uma pessoa vive o câncer é comum o abandono de si. A baixa autoestima chega com força por diversos fatores e pode gerar depressão. Seja pela difícil adaptação às mudanças no corpo após uma cirurgia ou sessões de quimioterapia, seja pela percepção de achar que não é mais o mesmo e que tem limitações”, declara.

Tanto paciente em tratamento oncológico ativo ou em cuidado paliativo podem acessar essa alternativa. Após a consulta com o oncologista o paciente pode ser encaminhado para a Saúde Integrativa de acordo com as necessidades e disposições pessoais. Potencializar o autocuidado e o autoconhecimento dos pacientes, para que possam desenvolver e identificar ainda mais aspectos próprios para lidar com possíveis situações de estresse.

A Saúde Integrativa no IBCC existe desde fevereiro de 2019 e possui 150 pacientes inscritos. Espera-se atender em torno de 40 por mês.  Os dois próximos encontros do grupo serão nos dia 30 de outubro e 13 de novembro das 11h às 12h e irá tratar sobre autocuidado.

Serviço
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