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Doador de medula óssea: o que saber?

15 de fevereiro

Atualmente no Brasil existem 5.304.714 doadores de medula óssea cadastrados, de acordo com o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME). O número de pacientes em busca de doador não aparentado, é em média, de 850. Em 2020 o número de novos cadastrados teve queda, 229.072 pessoas se registraram, em comparação com o ano de 2019 quando 291.361 se voluntariaram.

•        A quais testes o doador é submetido quando se cadastra no REDOME? Qual o objetivo desses testes?

Resposta: O doador é submetido a uma coleta de sangue (5ml) para teste de tipificação HLA Antígeno Leucocitário Humano) – fundamental para a compatibilidade do transplante. O resultado desse exame é cadastrado em um banco internacional de dados e a partir deste cadastro, o REREME (Registro de receptores de medula) cruza os dados deste banco com os dados dos pacientes que estão precisando de doação de medula, em busca da compatibilidade ideal para o transplante. 

•        Por que o mais comum é primeiro procurar um doador compatível entre os familiares do paciente e depois procurar no REDOME?

Resposta: Primeiramente, porque as chances de encontrar um doador compatível entre irmãos é de 25% e aumenta quando se pensa em um transplante haploidêntico (50% compatível). Havendo um irmão totalmente compatível (100%), este será a primeira escolha para ser o doador. Caso não seja encontrado doador compatível na família, recorre-se a busca de alternativas para a realização do transplante, uma das alternativas é a busca pelo doador não aparentado no REDOME. Estima-se que a chance de encontrar um doador não aparentado compatível é de 1 em 100 mil.

•        Qual tipo de doação de medula é a mais realizada, pela punção nos ossos da bacia ou por aférese do sangue periférico? Por quê?

Resposta: Ultimamente a coleta de células periféricas tem sido bastante utilizada. Porém, o médico do paciente é que deve escolher qual fonte de doação será a mais benéfica para o paciente, a depender de alguns fatores, como por exemplo, o tipo de diagnóstico, compatibilidade sanguínea, etc. Há tipos de doenças em que o melhor é a doação por aférese, já em outros tipos, o melhor é a doação diretamente da medula óssea.

•        Como o doador é contatado para ser informado que um paciente precisa da doação? O que acontece após esse contato?

Resposta: Uma vez identificado um potencial doador compatível, o REDOME faz contato através do telefone e/ou e-mail que foi registrado no momento do cadastro. O potencial doador é convidado a realizar novos testes de compatibilidade. Confirmada a compatibilidade com o paciente, uma avaliação clínica e laboratorial é realizada. No caso de bom estado-de-saúde do doador, a doação é agendada.

•        Quais cuidados o doador precisa ter antes do procedimento?

Resposta: Não há exigência quanto à mudança de hábitos de vida, trabalho ou alimentação. Atualmente, devido à pandemia, recomenda-se que o doador mantenha todos os cuidados e distanciamento social nos dias que antecedem a coleta. Caso seja necessário algum cuidado pontual, o doador será orientado durante a avaliação pré-coleta.

•        No que consiste a medula óssea que é retirada para a doação?

Resposta: A medula óssea que é retirada para doação é como se fosse a fábrica das células sanguíneas. É ela que produz todas as outras células do sangue. Ela é constituída de células progenitoras do sangue, também conhecidas como células-tronco, ou células mãe. Delas se originam as células do sangue: glóbulos vermelho, glóbulos brancos e plaquetas.

Os glóbulos vermelhos são células que carregam a hemoglobina, responsável pelo transporte do oxigênio dos pulmões para os tecidos e do gás carbônico dos tecidos para os pulmões.

Os glóbulos brancos: São os principais componentes do sistema imunológico e têm como objetivo defender o organismo contra infecções.

As plaquetas: São as células responsáveis pela coagulação do sangue.

•        Como é o procedimento para a retirada da medula e quanto tempo dura?

Resposta: Na coleta de medula óssea, o procedimento ocorre em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral e requer internação de 24 horas. As células serão coletadas através de punções na região pélvica posterior (osso do quadril) e dura cerca de 90 min.

Na doação por aférese, as células são coletadas diretamente da corrente sanguínea, através de um procedimento de aférese que dura cerca de 3 a 4 horas. Mas neste caso, o doador deverá receber uma medicação nos 5 dias que antecedem a coleta, para estimular produção e a liberação das células-tronco na corrente sanguínea.

•        Qual o volume de medula óssea retirado do doador? Essa quantidade prejudica, de alguma forma, o funcionamento do organismo?

Resposta: O volume retirado do doador é de 10ml/kg do paciente, não podendo ultrapassar 15ml/kg do doador. Essa quantidade é recuperada pelo organismo dentro de algumas semanas, sem prejuízo para o funcionamento do organismo.

•        Quais cuidados o doador precisa ter após o procedimento? Por quanto tempo é preciso ficar de repouso?

Resposta: No caso de coleta periférica, deverá manter repouso no dia da coleta. Já nos casos de coleta por punção na bacia, indica-se repouso de 3 a 7 dias, dependendo da recuperação de cada doador.  Como cuidados gerais, é importante que o doador se hidrate bastante nos dias seguintes a coleta e em alguns casos o doador faz reposição de ferro via oral para auxiliar na recuperação do organismo. Também será prescrito analgésico para dor no local das punções e o doador é orientado a comunicar a equipe médica que realizou o proedimento e procurar um serviço de saúde, caso apresente qualquer sintoma inesperado.

•        É comum que o doador sinta dor e desconforto após a doação? Qual intensidade?

Resposta: Na coleta por aférese, o doador pode sentir desconforto durante a coleta, devido a punção da veia e em alguns casos, pode sentir formigamentos, devido ao anticoagulante utilizado para a coleta.

Na coleta da medula por punção da bacia, o doador pode sentir dor no local das punções durante alguns dias, devendo utilizar o analgésico prescrito pelo médico do centro de coleta.

  A percepção da dor é relativa para cada indivíduo. Mas não costuma ser muito intensa.

•        Um doador pode realizar a doação mais de uma vez? Há um máximo de vezes? Por quê?

Resposta: Pode sim. Não há um máximo de vezes estipulado. Porque as células da medula se renovam aproximadamente a cada 30 dias. Tudo vai depender da avaliação geral do doador no momento em que for necessária a nova coleta.

•        Por que é importante que o doador mantenha os dados do seu cadastro atualizados?

Resposta: No caso de encontrar um doador compatível, será preciso encontrá-lo o mais rápido possível. Em muitos casos, o paciente realiza tratamentos quimioterápicos para diminuir a doença e realizarem o transplante. Porém, algumas doenças são muito agressivas e podem reaparecer em um curto tempo após o tratamento.

Daí a importância de conseguir contatar o doador e viabilizar o transplante em um curto período, na tentativa de que o paciente receba o transplante antes da doença voltar. Por isso, mantenha sempre seus dados atualizados, principalmente telefone e endereço.

Os dados podem ser atualizados pelo site do REDOME: redome.inca.gov.br/doador-atualize-seu-cadastro

•        Há uma crença que doar medula óssea pode deixar a pessoa paraplégica. Isso realmente pode acontecer? Por quê?

Resposta: Não. Quando se fala em medula, existe uma confusão entre medula óssea e medula espinhal, mas há uma grande diferença entre elas. A medula espinhal juntamente com o cérebro, forma o sistema nervoso central, que se localiza dentro da coluna vertebral e é responsável por conduzir informações de diversas regiões do organismo para o cérebro e deste para outras regiões. Já a medula óssea, também conhecida como tutano, é um tecido líquido-gelatinoso que preenche a cavidade interna de alguns grandes ossos (osso da bacia, esterno, fêmur) e fabrica as células do sangue periférico, como as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas. A medula óssea é um órgão hematopoiético.

Então a medula coletada é a medula óssea, não a medula espinhal, sem riscos de paraplegia.

Dr. Roberto Luiz da Silva

Coordenador da equipe de Hematologia e Transplante de Medula Óssea do IBCC Oncologia.

 
 

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