Leucemia deve atingir mais de 10 mil pessoas no Brasil este ano

20 de fevereiro

Artigo

Dados recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que o número de casos novos de leucemia para o país no ano de 2020 será  de  5.920  ocorrências em  homens e 4.890 em mulheres, totalizando 10.810. Quanto às mortes, o último levantamento de 2017 do instituto revelou 4.795 óbitos no Brasil decorrentes da doença. Por essas razões, atentar para sintomas, realizar exames básicos de rotina e proceder para que se possa ter um diagnóstico precoce são os principais caminhos para um tratamento eficaz.

A leucemia é uma doença que se inicia na medula óssea, local em que o sangue é produzido. O desenvolvimento ocorre quando as células sanguíneas imaturas denominadas blastos, sofrem mutação genética e transformam-se em células cancerosas as quais se multiplicam de forma desregulada tomando espaço de outras saudáveis. De origem desconhecida, a leucemia, em algumas situações, pode estar relacionada à exposição a agentes químicos como benzeno, ou medicamentos quimioterápicos, porém, na maioria dos casos, acontece de forma aleatória sem associação a fatores de risco conhecidos.

A literatura médica tem conhecimento de mais de 12 tipos de leucemia, sendo as quatro principais: leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia linfoide aguda (LLA), leucemia mieloide crônica (LMA) e leucemia linfoide crônica (LLC).

A leucemia pode ser classificada de acordo com a evolução e o tipo de efeito nos glóbulos brancos. No que se refere à evolução da leucemia aguda as células malignas se encontram numa fase muito imatura e se multiplicam rapidamente, causando uma enfermidade agressiva.

Já nas leucemias crônicas, a transformação maligna ocorre em células-tronco mais maduras. Nesse caso, a doença costuma evoluir lentamente, com complicações que podem levar meses ou anos para ocorrer. No que está relacionado aos efeitos aos glóbulos brancos, a leucemia é classificada como: leucemia linfoide, linfocítica ou linfoblástica que afeta as células linfoides e a leucemia mieloide ou mieloblástica que atinge as células mieloides

A grande maioria dos pacientes com leucemia apresenta sintomas decorrentes da diminuição da produção de células sanguíneas saudáveis que são principalmente: fraqueza, cansaço, sonolência, sangramentos, manchas roxas pelo corpo e infecções.

Os sintomas são decorrentes da diminuição das células que normalmente são produzidas na medula óssea: hemácias que são os glóbulos vermelhos e responsáveis por transportar o oxigênio para as células; leucócitos que são os glóbulos brancos e responsáveis pela defesa contra infecções e as plaquetas as responsáveis pela coagulação do sangue.

O diagnóstico de leucemia, muitas vezes, se dá por meio de um simples exame de sangue, conhecido como hemograma, no entanto necessita ser confirmado pelo material sanguíneo aspirado da medula óssea por meio de um mielograma para que ocorra uma avaliação da citologia, citogenética, molecular e imunofenotipagem.

O tratamento da leucemia é feito com quimioterápicos e muitas vezes para assegurar que a doença não volte é indicada a realização de transplante de medula óssea (TMO).

A escolha entre os tratamentos vai depender de uma série de fatores como a estratificação de risco inicial da doença, características do paciente como idade e doenças associadas, a resposta que o paciente apresentou na indução da primeira fase do tratamento e a disponibilidade de doadores de medula óssea.

*Dra. Flavia Tobaldini Russo é médica hematologista e especialista em transplante de medula óssea do IBCC oncologia

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