O vírus HPV é o responsável por quase 100% dos casos de câncer de colo do útero

11 de fevereiro

A vacinação contra o vírus que é sexualmente transmissível é a ação de prevenção mais efetiva no combate à doença

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), divulgados recentemente, mostram que o número de casos novos de câncer do colo do útero para o Brasil, no triênio 2020-2022, será de 16.590 ocorrências contra 16.370 no biênio 2018-2019. Os números revelam uma menor incidência da doença nos últimos anos.

Para a médica Mariana Camargo, cirurgiã da área de Ginecologia do IBCC Oncologia, isso aponta a efetividade da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e mostra também como é vital o país ampliar ainda mais a vacinação contra o HPV. “Sobretudo aumentar estratégias de implementação vacinal e programas de rastreio populacional adequados”, diz a especialista.

A Biblioteca Cochrane publicou revisão que, entre outras questões, avalia a efetividade da quantidade de doses das vacinas contra o HPV em mulheres. Os números mostraram que a resposta imunológica foi muito semelhante entre as pessoas que tomaram duas doses ou três doses da vacina contra o HPV. A publicação revisou 20 estudos disponíveis até a data de 27 de setembro de 2018 e que envolveu 31.940 pessoas.

Segundo o Ministério da Saúde, 75% das brasileiras sexualmente ativas entrarão em contato com o HPV ao longo da vida, sendo que o ápice da transmissão do vírus se dá na faixa dos 25 anos. Importante infecção sexualmente transmissível em todo o mundo, o vírus HPV atinge de forma massiva as mulheres, sendo que o câncer do colo do útero é causado por infecção sexualmente adquirida com certos tipos de HPV.

Dois deles, o tipo 16 e o 18 causam 70% dos cânceres do colo do útero e lesões pré-cancerosas, enquanto o 6 e 11 são os principais responsáveis pelas verrugas genitais. Também há evidências científicas que relacionam o HPV com cânceres do ânus, vulva, vagina, pênis e orofaringe.

A mortalidade em países como o Brasil, considerado subdesenvolvido, é 18 vezes maior que em países desenvolvidos. Por aqui, a taxa de mortalidade ajustada para a população mundial é de 4,70 óbitos para cada 100 mil mulheres, de acordo com dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer).

Como a doença é silenciosa, em cerca de 35% dos casos acaba levando à morte. Para a Dra. Mariana, a prevenção é um dos principais aliados no combate ao câncer de colo do útero. “A vacinação contra o HPV representa a melhor forma de prevenção primária. Ela resulta numa resposta imune 10 vezes mais eficiente que a viral e está disponível contra os seguintes subtipos: vacina bivalente contra HPV 16 e 18; vacina quadrivalente contra HPV 6,11,16 e 18; e a vacina nonavalente que inclui mais 5 subtipos oncogênicos os 31, 33, 45, 52 e 58”, ressalta Dra. Mariana, entretanto essa última ainda não está disponível no Brasil. No Brasil, apesar de disponível, especialistas revelam que a vacina contra o HPV sobra na rede pública por falta de procura. Vale destacar que por conta da ampla cobertura vacinal, países como Inglaterra e Austrália podem eliminar a incidência de câncer de colo de útero até 2028. 

Em complemento à prevenção primária, a médica destaca os exames periódicos para detecção da doença. “Há a probabilidade de uma redução de até 80% de mortalidade por este câncer se o diagnóstico for precoce”, complementa a médica. Considerando que o tumor de colo do útero é uma doença que pode ser assintomática ou ter como único sintoma o sangramento vaginal, muitas vezes as mulheres perdem a chance de descobrir o problema no início. “Sempre aconselho as pacientes a realizarem os exames como o Papanicolau periodicamente, para que aumentem as chances de a doença ser diagnosticada precocemente”, explica a Dra. Um exemplo é paciente Guilhermina Bispo da Cruz, 49 anos, identificou um câncer de colo de útero em 2019. Fez quimioterapia, radioterapia e hoje está curada.

“Em agosto de 2018, fiz meus exames ginecológicos num posto de saúde perto de casa e o resultado foi ok, segundo um médico, mas me pediram que retornasse em janeiro para acompanhamento, o que me deixou confusa. Em fevereiro do ano seguinte, comecei a fazer os exames novamente, no qual finalizei em agosto por conta de sangramentos fora de época”, diz Guilhermina. No dia 31 de agosto, ela pegou todos os resultados que faltavam e foi ao ginecologista. Foi quando recebeu o diagnóstico de câncer no colo do útero. “Fiquei sabendo que teria que tirar o útero. Estava sozinha com o médico na sala, foi como se fosse ao céu e inferno ao mesmo tempo”, lembra.

Foi encaminhada para o IBCC Oncologia. “Com a graça de Deus cai na mão de uma médica maravilhosa. A Dra. Mariana é exemplar, cuidadosa e esclareceu todas as minhas dúvidas. A médica disse que eu não precisaria fazer a cirurgia se as sessões de quimioterapia complementadas  com radioterapias trouxessem resultados”, diz a paciente. E foi o que aconteceu, após 28 sessões de radioterapia e 6 de quimioterapia, Guilhermina não precisou retirar o útero e agora faz acompanhamento de rotina.

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