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Pandemia eleva número de acidentes com queimaduras

18 de junho

Por Flávio Marques Nogueira

Acidentes com queimaduras são muito frequentes no cotidiano e, com o isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19, houve um aumento sensível de casos ocorridos dentro de casa.

Entre as causas mais frequentes estão água quente, ferro de passar roupas e panelas, além do álcool 70%, solução mais concentrada que passou a ser amplamente utilizada neste período.

Queimaduras são lesões provocadas pelo contato direto com alguma fonte de calor ou frio intenso, produtos químicos (naturais ou sintéticos), eletricidade ou radioatividade. Considerando que a pele é o maior órgão do corpo humano, cuja principal função é nos proteger dos agentes externos, a intensidade dos danos causados por uma queimadura dependerá do grau de acometimento dos tecidos.

É isso também que irá definir o tratamento adequado para cada situação. Dessa forma, as queimaduras podem ser classificadas em:

1º grau: atinge as camadas superficiais da pele, deixando a pele avermelhada e causando dor leve. Não há bolhas.

2º grau: fere as camadas mais profundas da pele. Notamos bolhas, vermelhidão, manchas ou mudança da cor, com dor mais intensa e descamação.

3º grau: afeta todas as camadas da pele e pode até chegar aos músculos e ossos. Muitas vezes não há dor e o aspecto é de pele branca nacarada, ou carbonizada escura. A ausência de dor acontece pela lesão das terminações nervosas sensitivas.

Em todos os casos, a recomendação é colocar a área queimada sob água fria corrente e limpa por cerca de 20 minutos ou, quando estiver em ambientes com muita poeira, insetos ou areia, deve-se cobrir a área com um pano limpo e úmido. Logo após, a vítima deve procurar atendimento no Pronto-Socorro mais próximo.

Tratamento para queimaduras

Nas unidades da Rede São Camilo de São Paulo, o primeiro atendimento é realizado por um cirurgião geral, que poderá avaliar a causa e o grau da lesão para, então, encaminhar o paciente para o tratamento necessário.

Assim, casos menos graves são acompanhados por um cirurgião plástico, enquanto as queimaduras mais profundas são direcionadas para internação e tratamento com uma equipe multidisciplinar formada por enfermeiros estomatoterapeutas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, fundamentais para uma recuperação bem-sucedida.

Entre os principais critérios que determinam a necessidade de internação do paciente estão:

– Queimaduras de 2º e 3º graus com acometimento de mais de 10% da superfície corpórea total em pacientes com menos de 10 anos de idade ou mais de 50 anos de idade;

– Queimaduras de 2º e 3º graus com acometimento de mais de 20% da superfície corpórea total em todas as faixas etárias;

– Queimaduras de 3º grau com acometimento de mais de 5% da superfície corpórea total;

– Todas as queimaduras de 2º e 3º graus com possível prejuízo a áreas funcionais ou estéticas, como face, mãos, pés, genitais, períneo ou articulações;

– Todas as queimaduras elétricas, incluindo lesões por raios;

– Queimaduras químicas ou envolvendo lesões inalatórias;

– Queimaduras circunferenciais de extremidades ou do tórax;

– Queimaduras com outros traumas associados, como acidente de carro, por exemplo;

– Queimaduras em pacientes com condições médicas pré-existentes que possam complicar o manejo das mesmas e/ou prolongar a recuperação, como Insuficiência coronariana, Doença pulmonar crônica ou Diabetes Mellitus.

Vale ressaltar que o sucesso no tratamento desses casos depende de um conjunto de fatores, aliando uma equipe multidisciplinar qualificada, agilidade no atendimento e tecnologia avançada.

Tais elementos são fundamentais para garantir a melhor recuperação do paciente vítima de queimaduras. Em alguns casos, será realizada uma limpeza em centro cirúrgico, sob anestesia geral, para a retirada do tecido morto.

O paciente ainda pode ser submetido à terapia por pressão negativa, uma técnica moderna que visa substituir a manipulação diária para troca de curativos, o que causa dor intensa e desconforto. O procedimento também reduz o tempo de cicatrização, além de preparar melhor o tecido quando é necessário realizar a reconstrução da área queimada. 

Nestes casos, por exemplo, os pacientes podem ser submetidos à terapia por pressão negativa, onde evitamos essa manipulação diária, além da aceleração da cicatrização ou o preparo para a reconstrução da área acometida.

O que não fazer em caso de uma queimadura em casa

É importante frisar que muitas medidas caseiras podem prejudicar o tratamento da queimadura, algumas vezes até mesmo piorando o quadro.

Portanto, em caso de acidentes desse tipo, independentemente da gravidade, não se deve tocar na queimadura com as mãos ou furar as bolhas, pois isso poderá contaminar a ferida, prejudicando sua recuperação. Da mesma forma, deve-se evitar manipular a área afetada, arrancando tecidos ainda grudados na pele, por exemplo.

Por fim, jamais deve-se aplicar qualquer produto no local, como manteiga, pasta dental, azeite, café em pó ou clara de ovo.

Flávio Marques Nogueira é médico cirurgião plástico na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo

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