Doença rara relacionada à prótese de silicone é descoberta por médico brasileiro

18 de agosto

 A SIGBIC causa sintomas clínico específicos e afeta o sistema imunológico

O médico e pesquisador, Dr. Eduardo Fleury, radiologista e coordenador da equipe de Imaginologia Mamária do IBCC Oncologia, descobriu uma doença associada aos implantes mamários, denominada SIGBIC (granuloma induzido por silicone na cápsula).

Os principais sintomas da doença são: manchas na pele, dores articulares, colites, endurecimento das próteses, aumento das mamas e sinais inflamatórios no seio comprometido. A maioria das pacientes avaliadas apresentou alterações clínicas características, muitas vezes ignoradas pelos médicos delas, sobretudo, por não existir relatos na literatura médica sobre o tema.

A descoberta aconteceu em várias etapas e após diversas constatações em um período de quase três anos. Foram intensos estudos e avaliações em resultados de imagens radiológicas, mamográficas, ultrassonográficas e, agora, de ressonâncias magnéticas mamárias de aproximadamente três mil mulheres.

De acordo com o Dr. Fleury, a doença começa a se desenvolver bem próximo ao período de vencimento da prótese de silicone, a qual tem vida útil de 7 a 10 anos. “As cápsulas fibrosas podem ficar comprometidas pela reação com o silicone e a retirada da prótese, em muitos casos, apresenta melhora no quadro”, afirma o médico ao acrescentar que as próteses não precisam ter sido rompidas para que ocorra o aparecimento da doença.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas (SBCP), a intervenção cirúrgica para aumento dos seios é a mais procurada pelas brasileiras. O último levantamento realizado pela SBCP, com dados de 2017 a 2018, mostrou que a cirurgia para colocar prótese na mama representa 18,8% de todas as operações plásticas realizadas no Brasil o que equivale a colocação de mais de 319 mil próteses de silicone no período de 12 meses.

Sendo dessa maneira, ao fim do período de vida útil da prótese, que é de 7 a 10 anos, podemos dizer que 229 mil brasileiras podem estar com a doença SIGBIC. Isso pelo fato de o Brasil ter realizado 12,9% do total de cirurgias para colocação de prótese de silicone feitas no mundo. Ou seja, há 7 anos (2013) houve o registro de 1 milhão 773 mil e 584 intervenções cirúrgicas desse tipo globalmente. Os dados foram captados pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS).

A descoberta da doença SIGBIC pelo médico brasileiro tem recebido destaque em várias publicações cientificas pelo mundo, como as revistas PLOS One e Science Direct.

 

 

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